Intercâmbios de jovens: o que são e para que servem?

Já deves ter ouvido falar em intercâmbios por entre muitos outros conceitos acerca da mobilidade juvenil e, provavelmente, dás contigo a pensar que deve ser algo demasiado complicado para teres coragem de participar. Acertámos? Então respira. Nem tudo na vida é um bicho de sete cabeças! Na realidade, os intercâmbios de jovens são uma ótima escolha para começares a viajar de uma forma descomplicada e segura.

Intercâmbios são encontros internacionais de curta duração para jovens entre os 13 e os 30 anos de idade (residentes legais em Portugal) e têm lugar fora do contexto escolar. Estes projetos juntam jovens de dois ou mais países, onde são realizadas atividades em torno de um tema definido. Os objetivos principais são contactar com uma nova realidade, aprender mais sobre o tema e conhecer participantes de outras culturas.

Como é que posso participar num intercâmbio?

Quem organiza os intercâmbios são, unicamente, as associações juvenis. Ou seja, é sempre através de uma entidade fidedigna que podes participar nestas iniciativas. Podes inscrever-te tanto para um projeto numa associação perto de ti, como em qualquer parte do país. As associações anunciam nos seus websites que intercâmbios estão para acontecer, as datas, o tema e os requisitos de participação. Adicionalmente, apoiam a tratar do Cartão Europeu de Saúde, dos bilhetes de viagem e do passaporte (caso necessário).

O programa inclui líder de grupo, alojamento, atividades, visitas, seguro, visto (caso necessário) e reembolso dos voos (até ao limite estabelecido). Por norma, a participação em intercâmbios não tem custos associados, exceto se a associação cobrar uma taxa simbólica de participação ou se o custo da viagem ultrapassar o limite estabelecido. Nestes casos, informa-te junto da associação sobre todos os detalhes que envolvem a tua participação. Não queremos que te escape nada!

Qual é o benefício que um intercâmbio traz?

Na verdade, participar em intercâmbios traz vários benefícios. Reforça o teu sentido de cidadania, ajuda a construir a tua confiança em viagem, a desmistificar algumas ideias pré-concebidas, etc. Além disso, estas experiências dotam o público jovem de diversas capacidades invisíveis, que muitas vezes não são exploradas em casa ou na escola. Neste sentido, cada intercâmbio disponibiliza no final do projeto o certificado internacional — Youthpass, um documento que enumera todas as aprendizagens adquiridas durante o projeto, que podes anexar ao teu currículo profissional. Por outras palavras, reconhecem que a tua participação acrescentou valor a um projeto além-fronteiras.

A Gap Year Portugal acredita que os intercâmbios de jovens são um passo saudável para alavancar o gap year na vida do jovem. Consideramos que potencializa escolhas mais assertivas, assim como aumenta a noção de civismo, tão preciosa, em viagem. Eu comecei a viajar sozinha através de intercâmbios e aconselho a quem, por exemplo, não tem tanta experiência em viagem a solo. Não me esqueço que o primeiro de todos foi em Malta, travei amizades fortes nesse projeto sobre liderança juvenil e ainda hoje mantenho contacto com uma grande amiga de Istambul.

O intercâmbio que mais gostei de participar foi em 2015, na Sicília, e o tema era sobre a máfia italiana. Nessa semana, jovens de Portugal, Macedónia, Roménia, Albânia, República Checa, Estónia, Hungria e Grécia discutiram sobre o crime organizado nos seus países, tendo o exemplo de Itália como base. O programa incluiu: visitar a faculdade de direito e à Fundação Falcone, onde as leis para travar estes crimes são desenvolvidas; assistir a documentários históricos sobre o tema; participar numa manifestação para contemplar o crime organizado na Lei Fundamental Europeia; e visitar o único tribunal no mundo erguido para julgar grandes grupos em simultâneo.

Imagem grupo intercâmbio de jovens Itália

Na imagem, estamos num antigo armazém de droga e armamento, mesmo junto ao aeroporto, que agora foi devolvido ao governo local e é explorado para turismo como quinta rural e horta biológica. Tens também momentos de descontração, como as noites interculturais para partilhar as diferentes comidas tradicionais dos países, tempos livres, tours locais e algumas saídas informais.

Os intercâmbios são como tatuagens, ficam-te marcados na pele. O tema do projeto que passas a conhecer com mais profundidade, o país que te acolhe e fixas logo no teu mapa mental, as pessoas que conheces e te ajudam a desconstruir preconceitos. Afinal, não vais voltar a estar com aquelas pessoas, naquele sítio, naquele momento nunca mais. E é isso que transforma a experiência numa memória única.

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