De regresso a casa

Confesso que ainda estou a absorver tudo e a perceber o que aconteceu. E só agora, duas semanas depois, a poeira começa a assentar. Já há muito tempo que não nos víamos ao vivo e a cores, ainda não conhecíamos alguns dos novos elementos da equipa em todas as suas dimensões e a saudade do Gap Year Summit de 2019 continuava presente. Decidir avançar com um formato híbrido levou o seu tempo, gerou muita troca de ideias e de opiniões e tínhamos perfeita noção de que poderia não resultar. Mas arriscamos, garantindo que a segurança de todos não era posta em causa. 

no palco do gap year summit

Gap Year Summit 2021

 

Arriscar faz parte de nós, da nossa fibra, do nosso ser. Uns arriscam mais, outros menos, uns de forma mais ponderada, outros de forma mais impulsiva, mas é um dos laços que nos une. Arriscamos para fazermos a nossa caminhada neste mundo e para que todos os jovens em Portugal descubram o seu caminho também. Então não podíamos ficar parados no semáforo vermelho para sempre. Ao primeiro sinal de luz verde, pusemos mãos à obra. Grupo de projeto criado, estratégia de comunicação e identidade a serem delineadas, chamadas e emails da Direção a toda a hora para que toda a logística não fosse trabalho de última hora. E ainda assim chegamos sempre ao dia a pensar que faltou alguma coisa e que no próximo ano temos de começar mais cedo. E temos. Mas talvez apenas para estarmos mais perto uns dos outros o ano inteiro e não só naqueles dois dias. 

Foi um Gap Year Summit agridoce porque não conseguimos estar todos, nem no palco, nem atrás das câmaras. Foi agridoce porque enquanto os olhos brilhavam por conhecermos algumas das caras novas da Associação, nos lembravamos das que estavam a assistir a tudo em casa e que ainda não sabemos se são altas ou baixas e se usam meias com padrões ou lisas. Só as conhecemos dos ombros para cima e, geralmente, em pijama. Foi agridoce porque as saudades do espírito de fazer acontecer de todos eram mais do que muitas e só tivemos um pequeno vislumbre da sua força. Foi agridoce porque para nos podermos encontrar naqueles dois dias e pôr a máquina a mexer, tivemos que enfiar um objeto estranho pelo nariz e torcer para que não desse positivo. Nunca positivo foi uma palavra tão negativa. 

Mas ao mesmo tempo encheu-nos o coração de alegria e, acima de tudo, de esperança. Estamos mais sensíveis que o habitual, continua a faltar-nos o abraço que não pudemos dar, mas ali, naqueles dois dias, voltamos a ver e a sentir aquilo que nos move e regressamos a casa. No meio de tudo o que envolve montar um evento e toda a sua logística, deixámo-nos inspirar pelas palavras, traço e música de quem conta a sua história, pela boa energia de quem nos rodeia, pelas ideias de última hora e pelo desenrascar necessário a um bom evento, pelas palmas que se voltam a ouvir no fechar do pano, pelos sorrisos de quem ali estava e de quem do outro lado do ecrã partilhava a mesma emoção, e fizemos telefonemas todos, cada um à sua maneira, a dizer que íamos chegar mais tarde. Porque ali, a vida e o Gap Year Summit estavam a acontecer. Outra vez.

Joana Firmino Ribeiro

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