Projetos que não querem calar #1 – Patagonia

Não são raras as vezes em que ouvimos dizer que a sustentabilidade é uma moda dos dias de hoje, que é coisa de millennials que não sabem o que a vida custa, que as alterações climáticas existem, mas que não há grande coisa a fazer e que não é por deixarmos de usar plástico ou de comer carnes vermelhas que vai mudar alguma coisa. Eu digo que ainda bem que Yvon Chouinard se antecipou e já nos anos 80 (sim, é mesmo isso!) agarrou no sucesso da marca que fundara em 1973, Patagonia, e fez dela um exemplo no combate à crise ambiental.

Patagonia por Eliza Earle
Foto de Eliza Earle, retirada do Facebook da Patagonia.

No seguimento da máxima “to know and not to do is not to know” (frase de Wang Yang Ming, utilizada por Yvon Chouinard no prefácio da segunda edição do seu livro “Let My People Go Surfing”), os esforços de Yvon começaram por tentar proteger a destruição dos desfiladeiros de granito do Parque Nacional de Yosemite e as surf breaks da Califórnia, mas depressa se estenderam por todo o mundo, e em especial dentro da filosofia da própria empresa, revelando um modelo de negócio diferente do que estamos habituados a ver no mundo corporate. E é a própria missão da Patagonia que o revela.

“to use business to inspire and implement solutions to the environmental crisis”

Um dos primeiros passos definidos por Yvon Chouinard foi implementar medidas que minimizassem os danos causados ao ambiente na produção dos seus produtos e a perceber como criar produtos de alta qualidade que não fossem descartáveis. Em parceria com Craig Mathews, lançou também a iniciativa One Percent For The Planet em que 1% das vendas da Patagonia revertiam para a preservação e/ou restauração do ambiente, dando origem a uma associação que encoraja outras empresas a fazerem parte do movimento e a contribuírem com 1% das suas receitas para a causa. Nada como liderar pelo exemplo.

One Percent for the Planet, uma iniciativa de Yvon Chouinard
“One Percent for the Planet”, uma iniciativa de Yvon Chouinard. Foto retirada do site https://www.onepercentfortheplanet.org

Com uma componente ativista sempre a fervilhar em prol da preservação da natureza e, transversalmente, do planeta Terra, o projeto mais recente da empresa já não ambiciona só unir o mundo corporate, mas também os indivíduos numa comunidade mais consciente e ativa. Surge assim a Patagonia Action Works, uma plataforma que vem unir todos os indivíduos e organizações comprometidos com um mundo melhor. Dá assim a possibilidade de todos podermos colaborar, através da divulgação de eventos (e sim, as greves estudantis contra as alterações climáticas estão incluídas) e ações de voluntariado pelo ambiente no nosso país, cidade ou região, divulgação de petições que podemos assinar e informação sobre como podemos doar o nosso contributo a determinados projetos. Também dá a possibilidade de tornarmos público o nosso projeto de ativismo ambiental.

Patagonia Action Works
A imagem da plataforma. Foto retirada da área dedicada ao projeto no site da Patagonia.

Esta espécie de hub a favor de um mundo mais zeloso e consciente dos recursos que temos e de como cuidar deles vem juntar-nos a todos. Vem fazer com que a ação de um indivíduo (aquela que muitos dizem não valer de nada) se multiplique e merece toda a divulgação possível. Convidamo-vos a visitarem o site para ficarem a saber mais. E, ou não fosse eu a croma dos livros da Gap Year Portugal, leiam o livro do fundador da Patagonia. Leiam mesmo! Não façamos da sustentabilidade uma palavra banal, como já referia o autor.

“As the evils in society become stronger and more numerous, we recognize that as larger and more influential company our responsibilities to society and our efforts to be an even more responsible company have also increased”

Yvon Chouinard, in “Let My People Go Surfing”

Foto de Richie Hopson, no decorrer das greves climáticas mundiais
Greves estudantis pelo clima. Foto de Richie Hopson, retirada de The Cleanest Line, o blog da Patagonia.

A urgência em começarmos esta rúbrica era demasiada. Ao querermos ter um papel mais consciente na sociedade portuguesa (e no mundo, e no mundo!), não podemos ficar de braços cruzados. Aqui pelo blog prometemos dar voz e cara a projetos que nos inspiram e que lutam por um mundo melhor. Fora deste cantinho, já estamos a trabalhar para uma geração mais sustentável. Fiquem atentos aos próximos tempos.

Por Joana Ribeiro

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