Cazaquistão, da natureza à cidade.

Aterrei em Astana sozinho. 

Umas horas depois, estava a dormir no chão de um apartamento com três desconhecidos (um francês, uma americana e um tajique). Foi algures por aí que comecei a aprender russo. Uns dias mais tarde, fazia 1.200 km à boleia em 13 horas debaixo de 40º graus. Nesse mesmo dia, dormi sozinho no meio do deserto rodeado de nada. Chegando a Almaty, fui acolhido por um milionário. Recebeu-me na sua casa e apresentou-me aos seus 7 sobrinhos, 4 ajudantes de casa, 3 filhos, 2 irmãos, à mulher e à mãe. Tanto explorei a azáfama da cidade como o sossego da floresta. Digamos que vivi um bocadinho de tudo. Até emprego me ofereceram.

O meu estilo de viagem é assim mesmo. Incerto. Vou ao ritmo do acaso. Ponho-me à mercê da sorte e a verdade é que ela me tem acompanhado nestas aventuras mundo fora. 

Aquilo que se segue é uma seleção de lugares, momentos e pessoas com que me cruzei durante a minha estadia neste canto do mundo que ainda é desconhecido para a maioria de nós. 

As pessoas com quem o Tiago se cruzou em Almaty

Fig.1 – Almaty

Apesar de toda a cultura e da beleza natural com que me deparo, aquilo que faz as minhas viagens são as pessoas com quem me cruzo.

A família em Almaty, Cazaquistão

Fig. 2 – Há coisas que nunca pensei em provar na minha vida. Uma delas era leite de cavalo… mas isso foi até o Bek me levar a provar a bebida mais típica do Cazaquistão com os seus filhos numa quinta nos arredores de Almaty. Digamos que tem um sabor peculiar.

Fig. 3 – Este é o Wolfy, um amigo de 4 patas que fiz no cimo de uma
montanha.

Fig. 4 – Os acessos para alguns dos sítios mais bonitos do país são feitos por estradas de terra batida onde é comum deparar-mo-nos com iaques, cavalos e outros animais no meio do caminho. Neste dia andei de jipe com um dos melhores hosts de couchsurfing que já tive. Neste dia, percorremos mais de 800 km. Uns momentos depois desta fotografia ser tirada, passámos por um rio onde quase fomos levados pela corrente.

Charyn Canyon, o irmão mais novo do Grand Canyon

Fig. 5 – Charyn Canyon, o irmão mais novo do Grand Canyon, localizado a sudeste do Cazaquistão. É uma das principais atrações para os amantes da natureza.

Fig. 6 – Charyn Canyon
Foto do Tiago em Charyn Canyon
Fig. 7 – Charyn Canyon
Parque Nacional de Kolsaiskie

Fig. 8 – Parque Nacional de Kolsaiskie
As casas tradicionais dos nómadas cazaques são conhecidas como yurta. A sua origem vem da palavra “comunidade” ou “família”, em cazaque.

Parque Nacional de Kolsaiskie 3
Fig. 9 – Parque Nacional de Kolsaiskie
Parque Nacional de Kolsaiskie 2
Fig. 10 – Parque Nacional de Kolsaiskie
Lago Kaindy no Cazaquistão

Fig. 11 – Existem florestas e existem lagos. E depois existe o lago Kaindy que é uma mistura mágica dos dois juntando-os pela casualidade.

Este lago formou-se à pouco mais de um século quando um deslizamento de terras fez um rio mudar o seu percurso habitual e criou este ambiente único. Embora as árvores pareçam despidas, existe uma autêntica floresta repleta do verde das folhas que cresce debaixo da superfície da água.​

Cazaques na praia

Fig. 12 – Os cazaques orgulham-se de ser um povo hospitaleiro e eu posso confirmá-lo. Para além da forma como fui recebido, descobri que há mais de 115 nacionalidades a viver neste país que o comprovam.

jovens a brincar na água em Astana

Fig. 13 – Deparei-me com um país cheio de jovens por todo o lado, tal como estes dois que andavam a brincar num parque em Astana. Mais tarde, vim a saber que mais de 25% da população tem menos de 18 anos e mais de 50% está abaixo dos 30.

Nursultan, até Março de 2019 conhecida como Astana.

Fig. 14 – Nursultan, a capital do país desde 1997, está a tornar-se uma cidade cada vez mais futurista com uma arquitetura que a torna única.

Foi provavelmente a cidade mais estranha onde alguma vez estive e não me peçam para explicar por palavras. É daquelas coisas que apenas se compreende ao vivê-las.

Nursultan
Fig. 15 – Nursultan
Arquitetura em Nursultan
Fig. 16 – A arquitetura de Nursultan
Palácio da Paz e da Reconciliação em Astana

Fig. 17 – O Palácio da Paz e da Reconciliação foi concebido para ser um centro de entendimento religioso e de promoção da equidade humana. Que sirva de exemplo para um mundo cada vez mais dividido pelas suas diferenças.

Mesquita Nur Astana

Fig. 18 – O Islão é a principal religião do povo em Nursultan. Aqui podemos ver a mesquita de Nur Astana (uma das mais imponentes do país), momentos antes dos seus altifalantes começarem a chamar os crentes para as orações.

Avenida principal de Astana

Fig. 19 – Esta é uma das principais avenidas do país, onde podemos ver o palácio presidencial do Cazaquistão ao fundo. Desde a declaração de independência à União Soviética (1991), apenas um homem foi presidente desta nação, o atual presidente Nursultan Nazarbayev, tendo vencido as últimas eleições com 97% dos votos a seu favor. Embora o país viva em democracia, há quem alegue que seja uma cleptocracia denominada pelos interesses pessoais do presidente e dos seus companheiros. Em 2019, Astana (o antigo nome da cidade capital), foi alterado para o nome do presidente: Nursultan. Os habitantes locais não ficaram muito satisfeitos.

Fig. 20 – Parque Nacional de Ile-Alatau

Os cazaques foram o primeiro povo a domesticar e a montar cavalos no mundo. Isto representou uma grande vantagem para os seus guerreiros nos tempos nómadas.

Ainda hoje o cavalo é um animal bastante importante na sua cultura. Existem diferentes raças de cavalo e cada uma delas é usada em contextos diferentes, desde a alimentação até à prática de jogos tradicionais como o kokpar.

Fig. 20 – Em Persa Antigo, Stan significa “terra” ou “nação” enquanto a palavra Kazakh significa viajantes ou aventureiros. O nome de Kazahstan traduz-se para a “Terra dos Viajantes”.

O Cazaquistão é o 9º maior país do mundo, com cerca de 18 milhões de habitantes.

Antes de partir, todos me alertaram para os perigos que ia encontrar. Como já suspeitava, não passava tudo de falta de informação e preconceito. Essa foi uma das razões que me levou a escolher esta área geográfica: conhecer a região através da minha experiência pessoal e não por aquilo que me era passado por pessoas que nunca tinham visitado a Ásia Central. E essa é a motivação que me leva a escrever este artigo. Partilhar um bocadinho daquilo que é esta terra de viajantes.

Este artigo é o início de uma coleção de artigos que irei escrever sobre a Ásia Central. Espero que tenham gostado!

Fig. 21 – O fotógrafo numa das poucas ocasiões em que se deixou fotografar.

Texto e fotografias de Tiago Marques

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