Índia, onde devemos ir

Não é de ânimo leve que relembro que, há um ano, estava na Índia. O sentimento de saudade é grande, de tal forma que é difícil recorrer às palavras certas para descrever o que foram esses dois meses das minhas férias de verão. Escolhi a Índia – na altura, sem conseguir explicar muito bem porquê – para largar a europa, para me estrear em aeroportos, para abrir as portas ao mundo. Deixo, neste artigo, algumas informações, dicas e alertas a futuros viajantes que poderão, em parte, facilitar a viagem.

A primeira mensagem a reter antes de partir, principalmente para aqueles que, pela primeira vez, voam para lá da europa, é não dar ouvidos às pessoas que, antes de partir, vos falam do país sem nunca o terem visitado. Parece egoísta, pouco precavido e, até, arriscado, mas fazê-lo significa que o vosso primeiro contacto será bem mais complicado porque, por mais que se considerem prontos e com uma mente aberta, essas informações irão moldar inconscientemente a vossa forma de agir. Parti sozinha, apanhei três voos e, às 5 da manhã, estava em Chennai, onde alguém deveria estar à minha espera. O imprevisível aconteceu: ninguém estava à minha espera, saí do aeroporto e não podia voltar a entrar, perdi a internet e não tinha saldo suficiente para fazer comunicações pelo telemóvel. Digo, com total certeza, que foi a única vez que senti receio; tudo o que me disseram, ainda em Portugal, levou-me à inação naquele momento da chegada e moldou de tal forma a minha visão que tudo o que conseguia sentir era que se pusesse, sozinha, um pé fora daquele aeroporto tudo de mau me ia acontecer. O pensamento foi o mesmo quando, no primeiro dia, tive de sair do lugar onde estava alojada para comprar comida. Rapidamente, percebi que não era assim que as coisas funcionavam, mas não ter tido uma data de vozes a pintar o país de opiniões vagas, ainda em Portugal, ter-me-ia favorecido nestes momentos iniciais.

Ainda em Portugal, há duas coisas a não esquecer: o visto e a consulta do viajante. Quanto ao primeiro, pode ser pedido online ou através da embaixada (consulta aqui mais informações sobre cada uma destas possibilidades); o meu foi pedido online e foi-me enviado, por e-mail, tudo o que precisava para entrar, pouco tempo depois. Nota que, se fores fazer voluntariado internacional com visto de turismo, como, por norma, acontece, não podes, de forma nenhuma, no aeroporto, dizer que o vais fazer. Quanto à consulta do viajante, pode ser realizada em estabelecimentos públicos ou privados, mas deve ser, principalmente se for no público, marcada com bastante antecedência para garantir vaga e tempo suficiente para a toma das vacinas. Realizei a minha no público, por cerca de 7€, e fui informada sobre todas as informações mais importantes, desde cuidados a tomar lá, como vacinas necessárias e medicamentos a levar.

Uma vez na índia, é importante saber ignorar as pessoas que, por todas as razões e mais algumas, nos abordam na rua. Principalmente no norte do país, as pessoas desdobram-se nos mais diversos esquemas para, de alguma forma, enganar quem lhes parece ser turista. Cruzei-me com as pessoas mais incríveis, em parte pelo trabalho de voluntariado que realizei, mas também fui enganada enquanto tentava, apenas, alcançar a bilheteira de uma estação de comboios em Nova Delhi e, de repente, já não estava na estação e tinha sido arrastada para outro lugar. O meu conselho é ser desconfiado e perguntar a mesma informação várias vezes, principalmente quando esta nos é dada sem nada perguntarmos.

Para além disso, devemos negociar os preços, desde a viagem de táxi aos artigos de venda. É fácil – mesmo muito fácil – conseguirmos grandes reduções. Quanto a outras compras, por exemplo, viagens de autocarro entre cidades, é possível fazê-lo online e é, de facto, o meio mais seguro e rápido.

Aconselho a provar o chá, o café e os biscoitos que se vendem nas pequenas lojas e a não temer a comida “de rua” – é das melhores parte da experiência. Uma refeição completa pode ser adquirida por 1€ ou 2€ e, normalmente, as doses são tão grandes que é possível poupar ainda mais, dividindo. Se fores vegetariano, vais para o sítio certo.

Por fim, uma nota, levem o vosso cartão de estudante, se for caso disso, porque muitos dos monumentos a visitar têm bons descontos. Não se esqueçam, também, da roupa adequada caso seja época de monções (durante o verão).

Principalmente, tenham vontade de viver tudo. Não recusem comer arroz com as mãos, andar de mota no trânsito caótico, fazer viagens em autocarros noturnos, dar um mergulho no oceano índico ou comer picante mesmo quando acham que já não conseguem mais.

Categories

0 Comments

Submit a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *