Trabalhar em troca de hospedagem: Quando a realidade supera a expetativa  

– “Aqui os dias não parecem ser o que são!”, dizia uma das colegas da equipa do hostel onde estou agora. Referia-se a como é fácil perder a noção do tempo, não saber se hoje é segunda ou sábado, ou como os dias aqui passam leves, divertidos e tão, tão depressa. Uma das evidências que confirmam isso é o facto de eu ter chegado para uma experiência de três semanas, para trocar algumas horas de trabalho por hospedagem, e já estar aqui há mais de dois meses. E, confesso-vos, ainda não tenho uma data definida para prosseguir viagem.

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Esta foi a primeira vez que parei para trabalhar desde que comecei a viagem, há 18 meses. Há algum tempo que tinha curiosidade por este tipo de experiência e estava a sentir que precisava de parar, por alguns dias. Sentia a necessidade de estar mais tempo com as mesmas pessoas e não ter de me despedir de alguém, de quem tinha começado a gostar, quase todos os dias. Viver na mesma rua mais do que uma semana e voltar a experimentar a dinâmica diária de alguma cidade. Sentia falta de chamar vizinho a alguém ou poder ter alguma atividade que se pudesse repetir e prolongar no tempo.

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Sempre fui avessa à rotina, ao repetir das mesmas coisas todos os dias e da mesma forma, mas o que o meu corpo e alma me pediam agora era diferente da rotina comum. Era um ficar num lugar a que pudesse chamar casa e a possibilidade de a cada dia me sentir ligada e conectada às mesmas pessoas. Esta era a minha expetativa e foi ela que me motivou a procurar uma oportunidade de trabalho em troca de alojamento no site da workaway.

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Iniciei a busca por proximidade, relativamente ao lugar onde me encontrava e descobri opções na costa sul do Equador e na cidade de Cuenca, no mesmo país. Dois lugares muito diferentes mas ambos com interesse para mim. Curiosamente, cruzei-me com o perfil de uma moça brasileira que tem um hostel em Cuenca. Escrevi-lhe.

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Poucas horas depois recebi a resposta. Rapidamente nos pusemos em contacto por whatsapp, acordando que começaria a trabalhar no Mi Casa Hostel naquela mesma semana. E foi assim que comecei a sentir-me en mi casa quando fui acolhida pela Maria numa vivenda com decoração vintage, com um pátio incrível e uma atmosfera verdadeiramente amigável e acolhedora.

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A forma como me senti quando comecei a trabalhar superou todas as minhas expetativas. Jamais pensei que limpar o chão, trocar os lençóis das camas, colocar a roupa para lavar e atender os hóspedes viajantes fossem atividades que me dessem tanto prazer e me colocassem sempre um sorriso no rosto.

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Para mim, esta experiência (tal como tantas outras da viagem) está a ser uma surpresa muito positiva. Facilmente as três semanas previstas se transformaram em um mês e agora em mais de dois. Passou o Natal e o Ano Novo e celebrei todos estes dias em alegria e com a sensação de estar em família.

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Os outros colegas “voluntários” que conheci e os viajantes que vão passando pelas assoalhadas do hostel têm cada um a sua história de viagem. E sabem do que mais gosto? De que cada história pessoal seja um livro inteiro de páginas que me deliciam quando as leio. Cada vez tenho mais curiosidade e me apetece fazer mais perguntas sobre o percurso de cada pessoa. Desde um italiano que tentou conseguir mais dinheiro para viajar lutando muay thai na Tailândia, a um checo que está quase a iniciar a sua travessia do rio Amazonas num mini barco insuflável depois de ter viajado durante dois anos de bicicleta; conheci um sem fim de relatos incríveis… e esta partilha enche-me os dias e confirma as minhas razões para continuar a viajar.

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Tantas pessoas, tantas vivências, tantas e tão infinitas possibilidades fazem-me continuar a acreditar que viajar é das coisas mais fantásticas que se podem experimentar. Nesta paragem em Cuenca (mesmo tendo saído pouco da cidade) tenho sentido o mesmo abrir de horizontes que vivenciei nos restantes meses de viagem, durante os quais atravessei a América do Norte e a sua parte Central, viajando de bicicleta e, depois, quando troquei a bike pela mochila às costas na América do Sul.

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Ter parado aqui representou um abraço, um aconchego, um estar rodeada de amigos e gente querida e feliz. Não sei como será trabalhar neste registo noutros lugares. Acredito que pelo mundo hajam mais locais com a mesma atmosfera que se vive no Mi Casa Hostel. Pelo menos gosto de pensar que sim…quem sabe se alguma vez os vou descobrir! Por enquanto, continuo aqui, a sentir que estou verdadeiramente em casa, a chamar de vizinho ao senhor da loja na esquina e a sentir-me bem por fazer parte da vida diária da cidade de Cuenca.

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Talvez tu que agora me lês possas passar por aqui enquanto o meu coração não me deixa ir embora e nos possamos conhecer pessoalmente. Seria certamente um encontro que me deixaria muito feliz!

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Até breve… no Mi Casa Hostel!

Daniela Toscano

www.instagram.com/danielalourotoscano

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