O meu Gap Year: 1ºmês de viagem

Faz um mês que a minha aventura começou, numa das mais icónicas cidades a nível mundial, Rio de Janeiro, e a experiência foi singular. Confesso que foi estranho caminhar sozinho pelo “calçadão” de Ipanema – foi estranho porque me apercebi que estava efetivamente a concretizar uma das coisas que mais queria: viajar pela América do Sul livremente; foi estranho porque estava a fazê-lo sozinho e isto fez-me refletir sobre se era mesmo o que queria. E sim, é mais fácil ter uma pessoa sempre ao nosso lado, (sobretudo com a vontade enorme e constante que tenho de falar com pessoas!) mas está-me a fazer crescer, que é aquilo que queria (e esperava) que acontecesse. Fiquei com vontade de viver no Rio, para ficar a saber o que é ser carioca e porque achei que a cidade tem uma beleza única que gostava de viver.

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Seguiram-se as Cataratas do Iguaçú, na fronteira entre Brasil e Argentina. Até agora foram o ponto alto da viagem. São incríveis! Não parece que algo tão perfeito possa existir sem qualquer intervenção humana. A Natureza é inquestionavelmente fascinante. Aí fiquei num Hostel, sozinho e, ao mesmo tempo, acompanhado de muitos outros backpackers, todos com histórias diferentes para contar porque tinham percorrido percursos diferentes e cada um igualmente bom. Após visitar ambos os lados das Cataratas fui ainda visitar a Barragem de Itaipu, a segunda maior do mundo e a que mais energia produz.

Ao fim de 10 dias tinha visitado uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno, uma das 7 Maravilhas Naturais e uma das 7 Maravilhas da Engenharia Moderna. Não podia estar a correr melhor.

Chegava a altura de acalmar o ritmo de viajante e partir para Assunção, a capital do Paraguai, um dos países menos desenvolvidos da América do Sul, e ficar a conhecer uma nova realidade. No início foi desanimador – já esperava que a cidade não tivesse muitas coisas para visitar, uma vez que não estava na rota de quase nenhum backpacker, por esse mesmo motivo. No entanto, o plano era lá ir para um voluntariado com a TECHO; também este não foi fácil de arranjar e as coisas começaram a perder o sentido, levantando a questão se não deveria ir embora mais cedo. Pensei seriamente nisso, mas sentia que não estava com a minha missão cumprida e isso não é algo que me agrade (de todo). Falei com uma pessoa em Portugal que conhece uma família argentina que vive no Paraguai há quase 20 anos e, depois disso, a  Cármen e o seu filho Hugo receberam-me como se fosse um membro da família. Senti-me em casa e com conforto, com a vontade renovada de insistir com o país e poder fazer aquilo que queria. Através de alguns contactos soube que ia haver uma construção de casas de emergência no país, missão na qual me inscrevi imediatamente. Era isto que queria, o porquê não sabia bem, mas queria experimentar.

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É um facto que a experiência de voluntariado fica muito bem em qualquer CV, mas agora percebo porquê. Para mim fez todo o sentido, fiquei chocado e sensibilizado, fiquei diferente. Senti que tinha o poder nas minhas mãos, de ter um impacto real na vida de alguém. Isso aconteceu com a Mabel e a Milena, que hoje já não têm uma casa em que o piso é de terra, que se inundava no Inverno e não tinha quaisquer condições. Deixa-me feliz e com a consciência mais tranquila. Voltei a Assunção para junto desta família, onde fui absorvendo o seu dia-a-dia bem distinto do quotidiano europeu. Conheci mais pessoas que me levaram a locais no Paraguai que não estava à espera de ver. Fiquei surpreendido. Este país tem uma cultura singular comparativamente aos seus vizinhos e a sua gente gosta da cultura e de preservar a identidade.

Em suma, há quem diga que alguns locais são mais ou menos bonitos, dependentemente de com quem estamos e de como o vivemos. Não que o Paraguai seja rico em beleza, quer natural quer em edifícios históricos, mas as pessoas que conheci foram únicas e tornaram este país num local muito mais interessante e bonito do que aquilo que esperava.

Já com os olhos postos no próximo destino, é fácil fazer o balanço: não me arrependo nada de ter vindo a este país, que para mim tem agora o rosto da Carmen e do Hugo, que me acolheram; da Mabel e da Milena, a quem ajudei e que me ensinaram tanto; de todos os amigos que fiz e que tem também as memórias das histórias e aventuras que aqui vivi.

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Este mês foi como esperava, cheio de experiências e pessoas novas e emoções fortes.

Ainda é difícil acreditar – estou a realizar um sonho! Estou feliz.

Agora é hora de preparar a mala para a próxima aventura! Continuem a acompanhar-me.

João Bonifácio

Sou de uma aldeia perto de Leiria, aos 18 anos mudei-me para Lisboa para estudar Economia, no ISCTE. Terminei a licenciatura em Julho deste ano e fui estagiar numa pequena empresa, durante 2 meses, no Verão. Neste mesmo Verão, soube que tinha sido o vencedor do concurso Gap Year Portugal 2016.
 
Em outubro, comecei esta viagem sozinho, que durará até maio. Ao longo destes 7 meses, vou visitar 10 países. O percurso será, mais ou menos, descer a costa atlântica da América do Sul, começando no Brasil e, em 2017, começar a subir pela costa pacífica até à Colômbia.
Para acompanhares as aventuras do nosso gapper:

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1 Comment

  1. Daniela Soares

    Acredito mesmo que esteja a ser uma experiência fantástica! Parabéns por estares a concretizar este sonho.:)

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