Japão: O sol nascente que não se põe

Aterrar do outro lado do mundo, em Tóquio, na maior cidade do planeta, sem planos, sem saber onde ir, o que fazer, o que comer. Sem noites marcadas ou transportes planeados. Sem “locais obrigatórios a visitar”, ou expectativas de qualquer espécie. Na agenda, apenas o voo de saída em Fukuoka, mais a Sul, 3 semanas depois. Assim nasceu o meu sol no Japão, a terra do sol nascente.

O contexto era particular. Era uma viagem necessária do ponto de vista pessoal, para a qual tinha trabalhado arduamente, e que me iria lançar no próximo passo da minha vida profissional, numa das decisões mais importantes que já tomei. Servia, assim, como um momento de reflexão e conexão com o meu próprio ser, de modo a sentir-me de mente limpa e pronto a enfrentar os próximos desafios. E sem expectativa ou pesquisa de qualquer tipo, decidi que seria ali, naquele país tão distante, que iria procurar dar resposta a estes objectivos.

O primeiro choque é mesmo à chegada: Tóquio. Um mundo por si só. 40 milhões de pessoas a viver naquela cidade, onde se pode apanhar um comboio de 3 horas sem sequer sair da mesma.

Tive a sorte de conseguir um host de couchsurfing que me recebeu durante 3 noites em sua casa, dando assim arranque a uma série de 19 noites sem qualquer gasto em alojamento. Contudo, quanto às poupanças já lá vamos…

Depois de 3 dias a conhecer Tóquio, a deliciar-me com algumas iguarias locais, e ver de perto um estilo de vida tão diferente ao que estou habituado, era hora de partir rumo ao verdadeiro desconhecido, o Japão que muitos não chegam a conhecer. Foram mais de 2 semanas sem ver um único turista, passando por vários sítios onde eu mesmo funcionava como atração local. O povo local? Tímido ao início, mas com muita vontade de mostrar o que de bom há no Japão, e praticar o inglês, muitas vezes pouco mais que básico.

E o que não faltou foi precisamente contacto com o povo local e comigo mesmo.

Inúmeras boleias com todo o tipo de pessoas, acampamentos em locais verdadeiramente paradisíacos, acordar sem saber onde ia dormir e acabar a acampar com uma vista de luxo em casa de uma família que me tinha dado boleia, com espaço para um autêntico banquete para jantar, como mais uma prova de como podemos ser felizes e viver experiências verdadeiramente memoráveis se confiarmos no mundo e nos lançarmos a ele.

E ali estava eu, 3 semanas depois, no aeroporto de Fukuoka a deliciar-me com um maravilhoso Ramen, com uma mala cheia de experiências e um sorriso de cara a cara a pensar no que vivi no Japão, o sol que para mim não se põe mais. 

Por Fernando Vaz

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