Austrália: o continente sem fronteiras

Depois de uma licenciatura em Gestão pela Nova SBE, o Fernando percebeu que o seu caminho não era o que a maioria das pessoas considera “normal”. Foi por isso que, juntamente com dois amigos, partiu numa aventura pelo mundo, durante quase oito meses. A vontade de viajar e de conhecer mais mundo fez dele um verdadeiro aventureiro. Desta vez, leva-nos a paisagens australianas.

A volta ao mundo sem fronteiras pela Austrália.

Aye mate! Provavelmente serão estas primeiras palavras que ouvirás ao chegar à Austrália, seja em Perth no estado de Western Australia, ou 5000 quilómetros a nordeste em Cairns, no estado de Queensland. E o primeiro factor a ter em conta numa viagem à Austrália é precisamente a distância entre cidades. Se para nós, europeus, uma viagem de 3 horas de carro implica muitas vezes o cruzar de várias culturas diferentes, na Austrália é comum fazerem-se viagens semelhantes para um dia de surf. Como exemplo, recordo um casal que nos ofereceu boleia e que estava em mudanças de Darwin para Canberra fazendo, assim, a respectiva viagem de ida e volta. Qualquer coisa como 8000 quilómetros no total o que, fazendo a analogia para o nosso espaço geográfico significa ir de Lisboa ao Cazaquistão. Por isso imaginem-se a ir de Lisboa para o Cazaquistão a transportar móveis e podem, assim, ter uma ideia da vida na Austrália!

Mas nem só de vastas extensões territoriais se faz este fantástico país que tive a sorte de visitar por 2 vezes em viagens distintas. A primeira, sozinho, pela Costa Este desde Adelaide até Cairns, sempre às boleias e dormindo em hósteis. A segunda, com o meu grande amigo João Pedro desde Darwin até Sydney pelo famoso deserto, vulgo Outback, também às boleias mas desta vez com um gasto total em alojamento de 1,20€ cada. De facto, num país com tanta terra por explorar, seria de esperar um vastíssimo leque de paisagens para apreciar e, nesse aspecto, há que dizer que não saímos desiludidos. Às praias tropicais, dignas de postal, do norte de Queensland, que contrastam fortemente com a imensidão árida do Outback, podem-se juntar as paisagens mediterrânicas de Victoria ou o brilhante verde do sul de New South Wales, sem esquecer, claro está, a vibrante energia de cidades como Melbourne ou Sydney, e a imponência do famoso Uluru, qual montanha erguida do meio da terra no meio do deserto australiano.

De entre tantas experiências lá vividas, recordo com particular carinho o acampar no deserto debaixo dum intenso céu estrelado para assistir ao nascer do sol no Uluru, vendo os raios solares a, gradualmente, conferirem àquele monumento o seu vermelho característico, ou quando acampei na praia com a areia mais branca do mundo (comprovado pela NASA!) depois de uma noite em que nos vimos forçados a cozinhar esparguete com água do mar. No entanto, e como em qualquer viagem às boleias, as principais lembranças são as pessoas que conhecemos. Os paramédicos que me deram uma boleia numa ambulância no meio do deserto, o Joe que esteve comigo e com o João Pedro percorrendo mais de 2500 quilómetros connosco na sua poderosa Rose (nome que carinhosamente deu à sua van 4×4), e ainda o grande Jimmy que nos recebeu durante 3 dias na sua quinta onde tivemos a oportunidade de experienciar o verdadeiro estilo de vida australiano: pastar vacas numa moto 4 ao sol e terminar o dia com umas cervejas e bilhar no bar local.

Com a certeza de que um dia voltarei a este continente rodeado de mar, fica a despedida no mais característico estilo Aussie:

Cheers mate!

Grupo de mates, expressão típica da Austrália.

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