#1 Meet The Team: Joana Dâmaso

Portuense de origem e de espírito inquieto e curioso, “pisgou-se”, logo aos 18 anos, de casa e foi viver para a capital, com o objetivo de descobrir novos mundos, ter novas experiências e crescer. 

Queria Medicina e entrou em Ciências da Saúde. Contudo, acabou por não se identificar com o curso e decidiu congelar a matrícula. Após um gap year improvisado, ingressou em Comunicação. Hoje, por cá permanece, no mundo da comunicação, prestes a licenciar-se. 

Mais do que a faculdade ou do que o curso, a verdadeira paixão da Joana são as novas experiências que vai ganhando e as viagens que vai fazendo. Assim, fez-lhe sentido juntar-se à equipa da Gap Year Portugal com o objetivo de ajudar mais jovens a fazer o mesmo. 

Para além disso, vai palmilhando o nosso belo Portugal e a Europa, sempre que pode, e em regime de low budget (que para se fazer vida de viajante há que ser poupado). Com África, vai vivendo apaixonada. Primeiro com a Ilha do Fogo, em Cabo Verde, onde fez as suas duas missões de voluntariado, e, mais recentemente, com Marrocos, onde, depois de já ter viajado de tantas formas, descobriu o quão incrível é fazê-lo com uma avó.

Como a sua curiosidade pelos olhos em bico também era grande, decidiu que era a vez da Ásia e, em agosto do ano passado, decidiu ir para Macau em Erasmus. Foram 4 meses de vida macaense/chinesa, seguidos de 2 meses de mochila às costas por cada canto do sudeste asiático (Indonésia, Filipinas, Camboja, Myanmar, Tailândia, Vietname, Malásia, Laos e Singapura).

Hoje a rubrica mensal #1 Meet The Team começa com uma reportagem à incrível Joana Dâmaso. Esperemos que gostes e que não percas as próximas entrevistas! 

 

1. Porque é que entraste para a Gap Year Portugal?

Eu ando sempre à procura de novos desafios e, na altura, quando me candidatei à Gap Year Portugal tinha acabado de chegar da minha 2ª missão de voluntariado, em Cabo Verde, e andava num estado de impaciência total à procura de algo completamente novo, que me tirasse outra vez da minha zona de conforto e que me pusesse à prova, em todos os sentidos.

Num dia, ao acaso, estava a fazer scroll no Facebook e vi uma publicação que dizia algo como, “Está na hora de fazeres algo diferente? Vamos pôr-te a mexer e juntos vamos mexer uma geração”. Eu vi aquilo e pensei: “É exatamente isto. É este que eu quero que seja o meu próximo desafio.” E, um ano e meio depois, por cá continuo, a ser desafiada e inspirada todos os dias e a fazer parte de uma equipa que, de facto, está a mudar uma geração.

 

2. Quais os cargos que já assumiste na associação? 

Quando entrei na Gap Year comecei por fazer parte do incrível projeto Road Trip Gap Year Portugal, que alia uma carrinha, dois gappers palestrantes com histórias para partilhar e milhares de miúdos prontos a serem inspirados. Durante 4 meses, de norte a sul do país, passando por todos os grupos de ilhas e distritos, este projeto alcança mais de 80 escolas secundárias do país e anda por Portugal a inspirar os jovens portugueses e a consciencializar para o conceito de gap year.

Entrar na Gap Year e entrar para este projeto em especial, para mim, foi sair-me a sorte grande, em todos os sentidos. Primeiro, porque fazer parte de um projeto tão inovador, com tanto alcance e com tanto impacto como a Road Trip, deu-me uma “estaleca” profissional inacreditável, que eu sei que não teria nem tão rápido, nem tão intensamente em qualquer outro sítio. E depois, porque a Road Trip é a prova viva de que aquilo que fazemos na Gap Year Portugal de facto está a mudar perspetivas, conceções e futuros.

Ver, todos os dias, miúdos do 10º, do 11º, do 12º ano fascinados quando percebem que um gap year é uma opção. Ver professores, a maior parte das vezes de outras gerações e, portanto, com outro tipo de educação, a dar valor à importância do gap year é incrível e altamente recompensador. É sentir, todos os dias, que o fazemos vale mesmo, mesmo a pena.

Atualmente, e depois de ter ganho toda a “bagagem” da Road Trip, faço parte da equipa que está a criar e a lançar o nosso mais recente projeto – Gap Year Fest -, desta feita direcionado para o público universitário. Além deste projeto, faço também parte da equipa de Apoio ao Gapper, a equipa que, dentro da Gap Year Portugal, tem contacto direto com os futuros gappers, ajudando-os a planear e a tornar possível os seus gap years.

 

3. Porque é que fizeste um gap year?

Já fiz um gap year meio que improvisado. Quando acabei o 12º ano tinha a plena certeza de que queria seguir Medicina e foi para isso mesmo que me candidatei. Não entrei por muito pouco e fui parar a Ciências da Saúde, um curso em muito similar a Medicina. Achei que ia amar e que era exatamente esse o meu futuro, mas a verdade é que, logo nos primeiros 3 meses, percebi que estava a odiar cada bocadinho do curso, que nada daquilo me estava a trazer felicidade e que não era de todo ali que eu via o meu futuro.

E agora, o que vou fazer?”. A questão que assombrava todas as certezas que eu achava que tinha. Mas uma nova certeza eu tinha: não era ali que ia ficar. Por isso, congelei a matrícula, fiz vários trabalhos ocasionais, juntei algum dinheiro, viajei pela Europa, entrei num projeto incrível de voluntariado e fui em missão internacional para a Ilha do Fogo, em Cabo Verde.

E foi neste conjunto de experiências que me (re)apaixonei pelo mundo e pelas pessoas, e percebi que o meu futuro tinha que passar por aí: pelas pessoas. E foi assim, que acabei por ir parar a Comunicação. De qualquer das formas, quero muito voltar a fazer um gap year. Acredito verdadeiramente que são estas “pausas”, estes “saltos” para o desconhecido, estas experiências “fora da nossa caixa” que nos mantém vivos e em constante evolução. É preciso quebrar rotinas e testar limites e, por isso, mal posso esperar por esse próximo salto.

 

4. Das viagens todas que fizeste até hoje, partilha uma história especial que te marcou de alguma forma.

Sempre que viajo, viajo pelas pessoas. Viajar, no seu estado mais puro, é exatamente isso: pessoas. E, portanto, inevitavelmente, as histórias mais incríveis que tenho são histórias destas pessoas que comigo se vão cruzando, por mais ou menos tempo, e com quem vou partilhando as várias viagens. Por isso, cá vai uma história de algumas dessas pessoas, que nos marcam e que tornam as viagens excecionais.

 

Estava eu no meio das Filipinas, em época de chuvas e, portanto, em época não turística. A ilha já por si não é muito populosa e, em época não turística, ainda menos. Ou seja, altura ideal para explorar uma ilha que, noutras alturas, é tão concorrida. E, por isso, lá fomos. De mota, explorar esta ilha. Andámos, andámos, andámos. Muitos quilómetros, muitas horas, muitas paisagens de, simplesmente, cortar a respiração, ou não fossem as Filipinas conhecidas como “O Paraíso na Terra”. Até que, depois de muito andar, chegámos ao início do que parecia ser uma selva. Mais um incrível sítio para explorar. Mas, o que acontece? Começa a chover e nós ficamos sem gasolina. Ora bem, a receita era a seguinte: selva + chuva, muita chuva + t-shirts e calções, que claramente ficaram rapidamente ensopados + sem gasolina + sem rede + sem comida ou água. Ou seja, o resultado não podia ser bom. “E agora?”, pensámos nós. Desbravámos um bocadinho de caminho para dentro da suposta selva e, rapidamente, chegámos a uma mistura de praia e salina natural que até hoje é, sem dúvida, o sítio mais surrealmente bonito onde eu já estive.

Nesta praia, absolutamente deserta, existia apenas uma cabana. Batemos à porta. Apareceu uma senhora (que mais tarde descobrimos que tinha 90 anos) e o seu neto adolescente. Esta senhora, sem nos conhecer e sem perceber uma única palavra de inglês ou de qualquer outra língua que nos unisse, recebeu-nos em casa dela, ajudou-nos a secar, fez-nos chá enquanto esperávamos que a chuva acalmasse. A chuva acalmou, foi connosco à praia pescar peixe e, ali mesmo, naquela praia deserta no meio de uma selva, cozinhámos o peixe no fogo e passámos o resto do dia como se fôssemos família, sem nunca trocar muitas palavras, mas a rir e a sorrir com a maior da sinceridade. Desligados do mundo mas tão ligados a estas pessoas que, literalmente, encontrámos numa cabana, no meio de uma praia deserta e de uma selva, e que fizeram daquele dia o meu melhor dia em viagem de sempre. Quais são as probabilidades?

 

Gosto muito de contar esta história porque acredito que é mesmo um bom exemplo da magia da viagem. Se estivermos disponíveis, viajar é uma constante descoberta. De experiências, de pessoas, de improbabilidades prováveis. E, para mim, viajar é mesmo isto. Estas sortes gigantes que vão aparecendo e que vão ficando, como histórias e como aprendizagens.

 

5. Que três conselhos darias a alguém que se quer candidatar à Gap Year Portugal?

Que sejam inspiração, dedicação e impacto. É isto que é a Gap Year Portugal. É isto que nos define, como equipa. É o acreditar pleno de que somos o motor para a mudança de uma geração, para a abertura de horizontes de um país, para a quebra de conceções de uma sociedade. Somos uma geração de causas e, nesta equipa, vivemos por esta causa, por esta geração, que queremos construir e impactar. É isto que nos move, todos os dias, e que mantém viva esta energia constante de sermos AGYP.

Por isso, os meus 3 grandes conselhos são exatamente esses.

INSPIRAÇÃO, DEDICAÇÃO E IMPACTO. Inspirem e sejam inspirados. Respirem essa inspiração e levem-na ainda mais longe. Dediquem-se e sejam parte, a 200%, desta equipa que se move e faz mover. E criem impacto. Aqui, na Gap Year, e no vosso dia a dia. Pensem fora da caixa. Aprendem coisas novas e ponham em prática. Sejam ação e “mãos na massa”. Não precisamos de mover países inteiros e multidões, para ter impacto. “Ser impacto” começa em nós e tem o poder que quisermos que tenha. E, acima de tudo, estejam disponíveis. Para o desafio, para a aventura, para a experiência. A Gap Year Portugal é um mundo de oportunidades com o dom de juntar pessoas incríveis.

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