Há 7 biliões de maneiras de ter um gap year sustentável

Na semana em que se celebrou o Dia Mundial do Ambiente e o Dia Mundial dos Oceanos, não quisemos deixar de dar o nosso contributo. Algumas das preocupações principais dos nossos gappers são a preservação do ambiente, o respeito pela natureza e a conservação dos habitats naturais. Muitos viajam por um mundo melhor, tendo não só em mente a humanidade, como também a fauna e a flora na sua plenitude.

 
 

E numa altura em que o panorama é revoltante, nos vira o estômago ao contrário, nos irrita profundamente, não podemos ficar parados. Façamos algo com os recursos que temos. Mas em primeiro lugar, transtornemo-nos com alguns factos… só mais um bocadinho.

 1) Os oceanos estão numa situação de risco, resultado de uma exploração desmedida dos seus recursos, da poluição e do aumento da absorção de dióxido de carbono, diz a UNESCO.

  1. 2) Cada vez são mais os animais que habitam os nossos oceanos que morrem com quilos e quilos de plástico no organismo. Vamos relembrar a baleia grávida que morreu este ano na Sardenha com 22kg de plástico presos no estômago?
  2. 3) Mais de 80% do lixo marinho na União Europeia é constituído por plástico.
  3. 4) A ONU afirma que, se não forem tomadas medidas, em 2050 haverá mais plástico nos oceanos do que peixes.
  4. 5) Em 2017, cada português produziu 483 quilos de lixo por dia, segundo o Portal do Estado do Ambiente.
  5. 6) A extensão de gelo do Ártico está a diminuir drasticamente. 
  6.  

Já com o botão da revolta ligado, passemos do problema para a solução. Cada indivíduo deve dar a sua contribuição única para a preservação dos ecossistemas da Terra, mas o exemplo tem de vir de cima e por isso mesmo a Organização das Nações Unidas definiu na sua agenda para 2030 um conjunto de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mobilizando assim a maioria dos países do mundo a adotarem novos comportamentos que promovam um uso dos ecossistemas de forma mais sustentável. Na imagem seguinte encontram todos os ODS, que não só ao ambiente dizem respeito.

 

               

 

 

Também o Parlamento Europeu se encontra a trabalhar neste sentido e aprovou em março deste ano uma lei que proíbe a venda de produtos de plástico descartáveis (como palhinhas e pratos e talheres de plástico) a partir de 2021. Os Estados-Membros comprometeram-se igualmente a assegurar a recolha de, pelo menos, 90% das garrafas de plástico até 2029.

E tu, enquanto gapper, o que é que podes fazer?

No seguimento de alguns testemunhos de gappers que já incluíram algumas ações positivas nas suas viagens, revelando um compromisso com a proteção do nosso planeta, damos-te algumas dicas para que também possas ajudar.  

 

#1 – Reduz o teu consumo de plástico

Enquanto conheces e exploras uma nova cidade, não te deixes levar pela tentação de comprar uma garrafa de água de plástico no supermercado, mercearia ou estabelecimento mais próximo. Uma das coisas que podes fazer é incluíres uma garrafa de vidro ou de alumínio nas coisas a levar na tua mochila para que a possas ir enchendo de acordo com as tuas necessidades. Já podes também arranjar um filtro purificador, muito útil nos locais em que as condições da água não forem próprias para consumo.

Quanto aos sacos plásticos, precisamos mesmo de falar sobre isso?

#2 – Desloca-te sempre em meios de transporte públicos

Em viagens dentro da mesma região, desloca-te de bicicleta ou de comboio. Podem ser mais demorados, mas pensa que vais desfrutar muito mais daquilo que vês.

#3 – Sê um zero waste gapper

Nada de talheres de plástico, palhinhas e sacos de plástico. Retira a palavra descartável do teu dicionário e inclui a palavra reutilizável. Prolonga a vida de todos os objetos que levares contigo na viagem e pensa que assim até a mochila fica mais leve.

A Marta e o Ricardo do projeto “Se pudesse também ia” aconselham as garrafas com filtro reutilizáveis da Lifestraw. Aproveita esta dica na primeira pessoa!

#4 – Envolve-te em projetos sustentáveis

O Tiago Franco, vencedor da bolsa NOVA SBE Gap Year em 2018, descobriu no Sri Lanka uma empresa que desenvolve aquilo a que podemos chamar de eco-tijolos, constituídos por 90% de materiais retirados do solo e apenas 10% de cimento. Esta composição permite reduzir o impacto negativo que a exploração do barro tem nos ecossistemas e diminui também a poluição do ar e da água causada pelo fabrico “dito normal” de tijolos.

Descobre o teu projeto sustentável num dos países do teu gap year e partilha connosco a tua história.

#5 – De um país para o outro

Imagina que durante um ano tens a oportunidade de pisar e de pousar a tua mochila em 20 países diferentes, com diferentes culturas. Entre eles terás certamente países desenvolvidos e países em desenvolvimento, com hábitos e costumes enraizados altamente discrepantes. Não há nada como aprenderes nuns e levares novas ideias para outros. Desenvolve um projeto que viste acontecer em Portugal, por exemplo, como a limpeza de praias, e transporta-o para o Sudeste Asiático, onde o turismo de praia é desmedido e sem grandes preocupações para lá da pulseira de “tudo incluído”.

Ou uma coisa tão simples quanto plantares uma árvore por cada país a que vás ou em cada país a que vás. Simples, não?

#6 – Dinamiza um jardim na comunidade

Decidiste assentar arraiais por uns meses num dos países do teu gap year por quereres conhecer a fundo a sua cultura. Queres viver como um local e até já vais de Portugal com uma experiência de trabalho meio alinhavada num dos bares da cidade. Vamos a isso! Mas sabes o que é que podes fazer também?

Dinamizar um jardim na comunidade onde vais ficar instalado. Assim tu é que produzes o que consomes, a produção é biológica e ainda podes aproveitar todas as cascas, caroços e resto de comida orgânica para compostagem, ajudando assim a fertilizar o solo onde vais plantar fruta e legumes. Sabemos que é um projeto a longo prazo, mas acreditamos que será um projeto que não vai deixar os habitantes locais indiferentes. Torna-te o seu mentor e dá um incentivo à produção própria e sem desperdício.

 

Existem muitas mais soluções e nos próximos tempos vamos andar mais atentos a tudo o que nossos gappers vão fazendo nesse sentido e a dar-te mais ideias.

Incorpora tu também os 17 ODS das Nações Unidas e não penses que as tuas ações individuais não servem de nada. Servem e muito! Imagina como seriam 7 biliões de ações individuais a decorrerem em simultâneo…

 

Por Joana Ribeiro

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