Inspira o teu Futuro

Mais uma vez, com o objetivo de não só desmitificar o verdadeiro conceito de gap year, como também de demonstrar a credibilidade do mesmo através de declarações recolhidas a diferentes associações, empresas e indivíduos…

Hoje o nosso grande convidado e parceiro entrevistado é a INSPIRING FUTURE!

Esta associação dedica-se ao desenvolvimento de iniciativas na área da educação, mais concretamente, no ensino secundário e superior. Têm projetos inovadores em que ajudam os alunos na construção das suas carreiras, tendo em conta o mercado de trabalho e as suas próprias capacidades. Assim, ambicionam “combater o desemprego jovem e jovens em situação NEET (Not in Education, Employment and Training), satisfazer as necessidades do mercado empregador e impulsionar a economia com uma mentalidade mais empreendedora”.

Por isso, estivemos à conversa com uma das formadoras da Inspiring Future: ANA CORREIA.

1) Fala-nos um pouco do teu background.

Tenho um background não muito óbvio para quem está agora enquanto formadora em escolas secundárias. Isto é, durante o meu secundário escolhi a área de Economia, mas no ensino superior decidi licenciar-me em Relações Públicas e Comunicação Empresarial. E foi no terceiro e último ano que comecei a trabalhar como voluntária na Inspiring Future, com o projeto de 12º ano.

Entretanto, acabei por ter uma experiência de 6 meses noutra empresa e voltei para a associação enquanto project manager e formadora das atividades do 10º ano. 

2) Como é que surgiu a Inspiring Future? E qual é o principal objetivo?

A Inspiring Future é uma associação que surgiu no ano letivo de 2013/ 2014, com o objetivo de dar apoio aos jovens do secundário na sua transição para o ensino superior. Isto também se deveu muito à experiência dos fundadores que já trabalhavam na área e perceberam que muitos jovens estavam a escolher as suas licenciaturas sem grande informação ou critério. Isto porque, apesar de haver muita informação disponível, os jovens não tinham a capacidade de serem proativos na busca por essa informação e também não tinham a capacidade de filtrar e processar essa informação de forma a tomarem uma boa decisão.

Por isso, mais do que uma feira de Ensino Superior, onde é possível encontrar informação, a Inspiring Future veio trazer ferramentas para trabalhar essa informação. Com o passar dos anos, o projeto foi evoluindo para se tornar, cada vez mais, num processo de apoio a todas as tomadas de decisão de carreira dos jovens portugueses, para que estes possam pensar de forma consciente e estratégica no seu futuro profissional.

3) O que tens aprendido através do contacto tão regular com os jovens portugueses?

A verdade é que todos os dias quando estamos em escolas contactamos com realidades completamente diferentes e ficamos com a perceção que até dentro da mesma escola há alunos com ideias e objetivos distintos. Contudo, ainda existe uma maioria já com alguns objetivos estabelecidos e minimamente confiantes face ao seu futuro.

4) Tendo em conta a educação formal e informal, quais pensas ser os maiores desafios desta geração (15-25 anos)?

Acho que os maiores desafios vão sendo transversais, mas, principalmente, o facto de terem de sair da zona de conforto, tomarem decisões com base no interesse e não consoante aquilo que esperam deles. Apesar de tudo, acho que há aqui uma geração com uma capacidade mais criativa face à resolução de problemas.

Contudo, isso cria outros desafios, não só para esta geração, mas para todas as que têm de lidar com estas pessoas: a gestão de expectativas e as diferentes formas de aprendizagem, o que faz com que a Escola – e a sua forma de ensino – esteja muito desajustada às necessidades dos jovens.

5) Num momento em que cerca de 29% dos alunos desistem do curso superior logo no 1º ano (fonte DGEEC): o que achas que está a faltar? E quais as possíveis soluções?

São de facto números com algum peso e acreditamos que, infelizmente, são muitas vezes utilizados de forma errada e sem a devida noção dos reais fatores que levaram a essas desistências – muitas vezes atribuídas a questões meramente financeiras. Porém, a verdade é que não existe nenhum estudo aprofundado sobre estes motivos.

Da nossa parte, acreditamos que um grande número de desistências devem-se à falta de informação relativamente aos cursos, que acabam por se traduzir em insatisfação e desmotivação para a continuação da frequência. Por isso, assumimos que quanto mais informados, conscientes e críticos os jovens forem no seu processo de escolha, melhores serão as hipóteses de satisfação quanto ao curso. 

6) Qual acreditas ser a potencialidade do gap year na consciencialização jovem?

Quando olhamos para o nosso processo de orientação há uma palavra que se destaca bastante – Interesses. Os interesses de uma pessoa descobrem-se através das experiências de vida, da experimentação de qualquer atividade nova e de todo o processo de autodescoberta que podem tirar disso. É impossível uma pessoa descobrir-se – a si e aos seus gostos – fechadas em casa.

Quando falamos de uma fase da vida dos jovens, onde muitos destes ainda nem tiveram tempo de experimentar muita coisa, muito menos tempo para essa autodescoberta. O Gap Year acaba por ser uma forma, em primeiro lugar, de ganhar “tempo” – tempo para tomar uma decisão – e que, no final, vai ser utilizado exatamente para isso: experimentar realidades novas.

7) Em que medida os valores da Gap Year Portugal se relacionam com os valores da Inspiring Future?

Fazer um gap year é uma excelente ferramenta de autodescoberta e de informação para um jovem. Por isso, nesse sentido está completamente alinhado com o que a Inspiring Future pretende fazer. Por outro lado, o facto de ser uma escolha própria, em que cada jovem vai ser responsável por si e pelo seu percurso ao longo desse ano, está muito alinhado com o nosso valor de responsabilização do jovem sobre o seu processo de decisão e de construção de projeto de carreira.

8) Se tivesses 18 anos outra vez e estivesses prestes a decidir o teu futuro (se ir para a universidade, trabalhar ou fazer um gap year), que três conselhos darias a ti mesma?

1. Fazer realmente aquilo que corresponde a objetivos meus.

2. Não desistir quando as coisas não correm como esperávamos. 

3. Colocar “tudo” em causa quando temos de tomar decisões (questionar).

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