A coragem de regressar

Depois da coragem de partir chega a hora da coragem de assentar.

O sonho foi ganhando forma, a coragem subiu à superfície, o momento da ida foi planeado e a aventura começou. Estiveste meses a explorar um novo universo, a conhecer diferentes perspetivas, a ultrapassar limites e medos, a refletir sobre o teu papel enquanto indivíduo, sobre o teu papel na comunidade e a pensar naquilo que queres daqui para a frente.

Mas agora estás de regresso a casa. E se tanto te custou encontrar a coragem e força necessárias para partir em busca de algo mais, imagina o que não será regressar ao ponto onde te encontravas antes do teu gap year. A primeira coisa que te vem à cabeça é que estás a dar um passo atrás, não é?

 

Esquece isso. Esquece todas as ideias pré-concebidas, esquece todas as assunções que o teu grilo da consciência te tenta impor.

 

O mundo que foste tentar descobrir lá fora é o mundo que vais colocar em prática cá dentro. E há mil e uma maneiras de o fazeres.

Em primeiro lugar, pensa no momento da descoberta, no momento em que concluíste qual seria o próximo passo a dar. Será que o que queres fazer a seguir é ingressar na faculdade? Para a maioria dos nossos aventureiros, sim. Para muitos, o gap year serviu como uma jornada de busca individual para perceberem o que realmente querem fazer a nível profissional, decidindo assim que curso superior querem seguir.

Mas lá está. Vens da primeira grande aventura da tua vida e o que vais fazer a seguir é estudar? Serão horas e horas de teoria, quando nos últimos meses puseste a mão na massa como nunca e fizeste acontecer? É aqui que queremos dizer-te que a faculdade não precisa de ser um mundo cinzento e quadrado.

Claro que não podes fugir às aulas. Mas podes fazer da experiência um momento enriquecedor, não só ao nível do conhecimento teórico. Leva essa vontade de fazer acontecer e aplica-a no teu dia-a-dia de estudante empreendedor.

Podes agarrar num projeto de economia sustentável que ajudaste a desenvolver no Sudoeste Asiático e aplicá-lo à realidade da instituição. Torna a cantina da tua faculdade o mais sustentável possível, junta todos os alunos e faz uma recolha de lixo nas redondezas do polo ou cria um núcleo de apoio ambiental. Podes também apresentar a tua jornada a todos os teus colegas e aconselhá-los. Torna-te uma inspiração, um speaker motivacional.

Se o teu objetivo passa por apoiar causas sociais e não seguires diretamente para a faculdade, podes sempre juntar-te a uma organização que tenha como missão o voluntariado ou mesmo criar a tua própria organização. Tudo depende de ti, da causa que queres abraçar, da vontade que tens em não deixar nada por fazer.

“Amanhã não quero ter deixado nada por fazer.”
André Leonardo

Pensaste no dinheiro, não foi? Há sempre solução, mesmo sabendo que não tens pais ricos e que as tuas poupanças foram destinadas à viagem que acabaste de fazer.

Antes de avançar para a sua viagem à volta do mundo para contar histórias de empreendedores, o André Leonardo (conhece aqui o seu projeto e o seu livro Fazer Acontecer) teve que recolher apoios, apresentar as suas ideias em formato pitch a investidores, vender o que pretendia fazer antes de poder avançar. E conseguiu.

Quem tem boca (e vontade, dizemos nós) vai a Roma, não é verdade?

Tu estás em vantagem. Já fizeste a viagem, agora só tens de agarrar na ideia que dela trouxeste e concretizá-la.

Se essa veia empreendedora ainda não está a 100%, podes sempre abraçar um pequeno part-time que te permita angariar os fundos que necessitas. Define qual o período temporal até teres o dinheiro que necessitas, cria uma calendarização do teu projeto, define prioridades e estabelece metas. Assim, conseguirás maturar o que queres fazer sem te acomodares a um trabalho fixo e, quem sabe, não conhecerás outras pessoas com backgrounds diferentes do teu e que te possam ajudar.

Como vês, não há que ter medo. Há que ter coragem. Desde que tenhas esse objetivo a fervilhar dentro de ti e faças por isso, poderás abraçar a volta da melhor maneira possível.

Por Joana Ribeiro

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