Mongólia: Outrora o maior império do mundo, hoje um destino mágico!

Depois de uma licenciatura em Gestão pela Nova SBE, o Fernando percebeu que o seu caminho não era o que a maioria das pessoas considera “normal”. Foi por isso que, juntamente com dois amigos, partiu numa aventura pelo mundo, durante quase oito meses. A vontade de viajar e de conhecer mais mundo fez dele um verdadeiro aventureiro. No verão passado decidiu ir até à Mongólia, um país que o impressionou verdadeiramente! Agora partilha o seu testemunho.

Tendo já comigo uma avultada bagagem de viagem, composta por mais de 50 países de todos os continentes do mundo, sentia, no final de cada viagem, que me faltava algo. Que havia um destino que chamava por mim de uma forma que nenhum outro fazia, transmitindo a ideia de aventura, paz, magia e desafio. Esse destino era a Mongólia e foi com essa motivação que, em agosto de 2018, após um Verão que incluiu viagens à América do Sul e Madagáscar, perguntando-me como seria a vida num dos sítios mais remotos do mundo, decidi que estava na hora de finalmente visitar aquele país para o qual tantas vezes olhei no mapa…

O primeiro passo foi decidir como chegar, tendo em conta a necessidade de obtenção de visto e a impossibilidade de o fazer em Portugal. Contudo, tudo ficou facilitado por ter um bom amigo a viver em Pequim na altura, que me albergou na capital chinesa enquanto o visto era processado na embaixada Mongol. Assim, após uma visita à famosa Muralha e uma deliciosa refeição de Pato à Pequim, embarquei no igualmente ímpar comboio transiberiano até Erlian, cidade chinesa na província autónoma da Mongólia Interior, e porta de entrada para o meu destino de sonho!


"Tudo é incrivelmente seguro e natural."

Atravessando a fronteira, a pé, entro na cidade de Dzamyn-Uud, troco 160USD$ e inicio o caminho para a capital Ulanbaatar, da forma que mais me agrada e desafia a viajar: às boleias e evitando pagar alojamento. Nesse aspeto será difícil encontrar melhor país para o efeito que a Mongólia. Com tempos de espera médios de 5 minutos, e a cultura nómada bem assente (é legal acampar em qualquer descampado na Mongólia), chegar a Ulanbaatar demorou dois dias com um acampamento nos arredores de Sianshand pelo meio, atravessando assim o famoso deserto de Gobi. Ulanbaatar é uma cidade relativamente moderna, com acesso a todo o tipo de serviços e o alojamento ficou assegurado através dum host de Couchsurfing que prontamente se ofereceu a receber-me em sua casa.

Após um fim-de-semana de aventura pelo Parque Nacional, e de visita ao monumento em honra a Genghis Khan, obreiro do maior império da história da humanidade, era hora de dar asas à liberdade e percorrer zonas (ainda) mais isoladas do país. Seguiu-se uma visita a Kharkhorin, antiga capital do império Mongol, com as ruínas da antiga cidade ainda bem conservadas, uma aventura todo-o-terreno pelo Vale Orkhon mas, melhor que tudo, o cumprir de um dos maiores objectivos da viagem.

Como referi, viajar à boleia é sempre a minha prioridade e a Mongólia não iria ser exceção (numa semana não gastei um cêntimo em transportes). Ao sair de Kharkhorin, parou uma senhora com uma família que me levou até ao seu “ger” (tradicional tenda Mongol). Quando me preparava para seguir caminho, qual não foi o meu espanto quando ela me ofereceu lugar para dormir durante a noite. Apesar de a tenda só ter literalmente três camas, uma delas para arrumações, e de a família ser composta pelo casal e 3 filhos, rapidamente se ajustaram para me oferecer uma cama só para mim. Tudo isto a troco de nada e depois de me terem conhecido na rua! Foi uma noite de partilha de histórias, comida tradicional por eles cozinhada, e uma experiência que para sempre recordarei. A adicionar a tudo isto, o facto de não haver uma língua comum entre nós (o maior desafio que encontrei ao viajar na Mongólia), e toda a comunicação ser à base de linguagem gestual.

No final, o regresso a Ulanbaatar e o voo de regresso para a Tailândia, destino seguinte onde teria a oportunidade de rever alguns amigos da minha primeira ida ao Sudeste Asiático.

Saí da Mongólia com uma sensação de felicidade e realização pessoal fantástica.

Pelas pessoas, paisagens únicas, ausência de turismo em massa e possibilidade de autoconhecimento, qualifico a Mongólia como uma das 3 maiores aventuras que já vivi e, nesse sentido, seguem algumas dicas para que todos possam ter uma experiência igualmente enriquecedora.

  • Locais a visitar: duas coisas que não podem faltar na lista são o deserto de Gobi e o monumento a Genghis Khan. Sugiro, também, uma descida do Vale Orkhon. Um dos objetivos de muitos dos poucos que visitam a Mongólia é andar a cavalo. Existem algumas agências que tratam de toda a logística desde aulas a cavalos em si, que possibilitam o realizar da atividade.
  • Transporte: boleias é incrivelmente fácil (cheguei ao ponto de ser eu a escolher em que carros queria ir). Para os que não se identificam com este registo há numerosas agências de turismo que trabalham este sector.
  • Alojamento: levar uma tenda e sentir a verdadeira cultura Mongol é um autêntico privilégio. Tudo é incrivelmente seguro e natural. Novamente, existem várias agências que possibilitam alojamento em todas as localidades. O custo médio deve rondar os 10€ por noite. Couchsurfing é bastante popular em Ulanbaatar e uma boa forma de conhecer mais pessoas locais.
  • Orçamento: uma refeição fica, em média, à volta de 5€ em restaurantes, mas há que ter em conta que os supermercados são mais baratos que em Portugal. Sem transportes e alojamento, numa semana, tive um custo total de 16€

Depois de anos a inquietar-me sobre como seria a vida na Mongólia, posso hoje dizer que as minhas excpectativas foram altamente superadas. Aconselharei sempre a qualquer um que queira uma aventura de qualquer cariz, garantindo que este é um dos países mais singulares que conheci em todo o mundo!

Fernando Vaz

 

One thought on “Mongólia: Outrora o maior império do mundo, hoje um destino mágico!

  1. A wonderful trip. I enjoyed reading it. We were offered teaching jobs once in Ulanbataar, but decided to work in Japan in Osaka.

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