À conversa com: Professora Celeste Simões

Desde que a Gap Year Portugal foi criada, há cerca de seis anos, que temos espalhado, por Portugal fora, a mensagem de que um gap year é para toda a gente. Atualmente, comparando com a altura em que a associação foi fundada, já há realmente muitos alunos, sejam do ensino superior ou secundário, a lançaram-se nessa aventura fantástica que pode mudar as suas vidas. Muitos estão já devidamente informados sobre o assunto e provavelmente gostavam de avançar com um projeto seu, planeado por si e para si. O que os impede? Muitas vezes, os pais ou os seus encarregados de educação.

Por isso, decidimos acabar com o medo que geralmente afeta quem teme ver os seus “bebés” a bater as asas e voar, realizando uma entrevista à professora Celeste Simões, que não só conhece a Gap Year Portugal como também é responsável pela criação de uma unidade sobre o conceito gap year e a Gap Year Portugal em particular, no livro de inglês de 11.º ano, Bridges, do qual é coautora.


Para si, o que é um gap year?

Um gap year é uma oportunidade para a pessoa se encontrar e descobrir, ou confirmar, a sua vocação, interesses profissionais e/ou pessoais e, principalmente, crescer. É uma paragem que não implica inércia, acomodamento ou desinteresse, mas constitui, pelo contrário, uma oportunidade para enriquecimento pessoal, alargamento de horizontes e melhoria e atualização dos conhecimentos científicos.   

De que forma comunica o conceito de gap year aos seus alunos?

O conceito de gap year integra-se nos conteúdos do Domínio Intercultural das Metas Curriculares da disciplina de Inglês do 9.º ano de escolaridade, sendo uma hipótese de abordagem dentro da temática “Conhecer universos culturais diferenciados”, nomeadamente no que diz respeito aos pontos “Identificar alguns fatores que dificultam a comunicação intercultural”, “Identificar organizações promotoras da mobilidade dos jovens (intercâmbios, campos de férias, voluntariado)” e “Identificar transformações no modo de estar e de viver (saúde, trabalho, lazer, tecnologia)”. Também no ensino secundário, o programa da disciplina de Inglês no 11.º ano contempla esta temática na unidade “O jovem perante as mudanças” ao referir explicitamente as hipóteses de abordagem: “diversidade de percursos (gap year, time-off, actividades de acção social, voluntariado…)”. Abordar o conceito é, pois, algo incontornável nas minhas aulas e procuro explorar as várias vertentes desta experiência de vida. Foi também por este motivo que incluí esta temática no manual escolar de que sou co-autora, Bridges 11, da Sebenta Editora, Grupo Leya. A unidade 2.3 “An Experience of a Lifetime” é totalmente dedicada à temática Gap year e inclui testemunhos de gappers portugueses, bem como divulgação da Gap Year Portugal.

O que mudaria na sociedade se toda a gente pudesse fazer um gap year?

Certamente que teríamos uma sociedade mais respeitadora das várias culturas, mais consciente das semelhanças que subjazem às aparentes diferenças, mais equitativa e mais justa.

Que mudanças práticas já viu acontecer a quem fez um gap year?

Conheço um caso em que após o gap year a pessoa decidiu mudar completamente de rumo e pedir transferência de curso, escolhendo uma área completamente diferente da que inicialmente se propunha frequentar no ensino superior. Este é, provavelmente, o caso mais visível que conheço. No entanto, constato, em todos/as os/as gappers que tenho o privilégio de conhecer pessoalmente, uma alteração a nível da mentalidade: se já eram pessoas curiosas, enérgicas e voluntariosas, tornaram-se ainda mais empenhadas e conscientes do seu papel de agentes de transformação social.

Que vantagens profissionais pode um gap year dar?

Numa altura em que se reconhece a importância das soft skills e da inteligência emocional, fazer um gap year traz um valor acrescentado para o currículo. As capacidades técnicas e o conhecimento científico são, sem dúvida, fundamentais, mas aliar isso à capacidade de relacionamento intra e interpessoal e a um conhecimento de mundo mais abrangente, possibilitados por esse tempo de paragem e descoberta, valoriza uma qualquer candidatura profissional.

Há algum conselho que possa dar aos pais/encarregados de educação de futuros gappers?

O melhor conselho que posso dar é que acreditem nos seus filhos e filhas e lhes dêem todo o apoio possível para que estes/as possam crescer e tomar decisões informadas e conscientes. Para isso devem também eles e elas, pais e mães, procurar esclarecer-se sobre o que implica fazer um gap year, sendo a AGYP um recurso excelente para este efeito.


Não há soluções milagrosas, nem remédios que resolvam todos os problemas com os quais nos deparamos ao longo da nossa vida. No entanto, se achas que fazer um gap year é realmente aquilo que procuras, não hesites em falar connosco! Temos uma equipa cheia de vontade de te ajudar, que trabalha dia e noite para ver os sonhos da população jovem portuguesa realizados. Não há nada a temer: chegará uma altura em que todos teremos de enfrentar o medo do escuro e os monstros que se escondem por baixo da cama.

Acreditamos que cada um deve seguir o seu próprio caminho, ao seu próprio ritmo. Nós estamos aqui para ti!

Porque afinal… O que nos move é que te movas

Entrevista realizada por Helena Fonseca

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