Unwrapping Humans: O nome que dá mote a uma viagem inspiradora

A Beatriz e o Pedro foram os grandes vencedores do Concurso Gap Year Portugal de 2018 e vão passar dez meses pelo continente asiático a tentar desvendar perceções culturais. Beatriz, 22 anos, desde pequenina que sonha em ser cientista e, assim, compreender melhor o universo e a vida. Pedro, 24 anos, madeirense que cedo veio estudar para Lisboa e agora pretende mergulhar de cabeça em novas culturas.

“Terminaram o curso? Parabéns! E agora?”

Esta é a pergunta que mais ouvimos nos últimos meses, seguida de tantas outras como: então e doutoramento? Estão cheios de vontade de ganhar dinheiro, não é? Já enviaram currículos? Já estão no LinkedIn? E daí em diante…

Mas não fomos apanhados desprevenidos; depois de cinco anos a completar um mestrado em engenharia, já antecipávamos este momento há algum tempo e, com ele, esta chuva de perguntas.

Vimos os nossos amigos a seguir os passos tradicionais: uns entraram no frenesim de enviar currículos e atacar as primeiras entrevistas de emprego, outros comprometeram-se com projetos de doutoramento. Compraram os blazers, as gravatas e os sapatos polidos – a roupa de “gente grande”. Se lhes formos perguntar, todos dizem que querem é ganhar dinheiro. Mas, em relação ao que querem mesmo fazer da vida, aquilo que lhes daria real prazer, poucos sabem a resposta. Como acreditamos que o que não tens em qualidade podes sempre compensar com esforço, marchámos de cabeça erguida em direção ao inevitável desfecho, completamente alheios ao que realmente esperar do nosso futuro.

Encontrámo-nos então numa situação onde nos era disposto um leque de opções igualmente aceitáveis, no entanto o nosso sangue não fervia com a expectativa de nenhuma delas. Era como se, independentemente do percurso escolhido, fossemos desencadear uma avalanche de acontecimentos que acabariam certamente numa enormidade de responsabilidades e compromissos para os quais não nos sentíamos prontos. Ao mesmo tempo, sempre que a conversa vinha à baila, trocávamos aqueles olhares cúmplices, como quem pergunta: E os nossos sonhos?

Gostamos de imaginar o que faríamos se amanhã ganhássemos a lotaria e acabamos sempre por concordar numa coisa: viajar o Mundo! Viajar representa uma expansão dos horizontes físicos e mentais que conhecemos. É uma oportunidade para nos sentirmos deslumbrados e inspirados, para nos relembrarmos de apreciar e agradecer a vida, para nos apaixonarmos por este planeta mais um pouco, todos os dias.

Viajar é, então, algo que sempre soubemos que queríamos fazer, de tal forma que até medo tínhamos. Medo de um dia podermos vir a ser dois velhinhos a olhar para um passado não vivido enquanto percebem que foram feitos reféns da sua rotina, adiando os seus “planos de juventude” indefinidamente.

Voltando à narrativa do nosso fatídico ano de finalistas: eis que, num belo dia de Primavera aterra no nosso colo uma oportunidade caída dos céus. Uma alternativa completamente diferente de todas as outras. Portas sem fim abriram-se nas nossas mentes, sonhando com as possibilidades quase ilimitadas, tão perto do nosso alcance. Eis o Concurso da Gap Year Portugal! *inserir coro épico e luzes a acompanhar*.

Shiiiuuu! Pára tudo! Quer dizer que há a hipótese de explorarmos o mundo e ainda ter financiamento para tal? Parece mentira, não é?

Só soubemos da existência do concurso a um mês deste encerrar, mas era tudo o que estávamos à procura! Lançámos mãos à obra para nos candidatarmos e, quanto mais o projeto se desenlaçava, maior se tornava a nossa certeza em relação a este futuro. De tal forma que, a partir de certo ponto no planeamento, a questão passou de “e se ganharmos, o que vamos fazer?” para “e se não ganharmos, o que é que ainda conseguimos fazer?”.

A cereja no topo do bolo foi a romaria até Aveiro para assistir ao Gap Year Summit e ouvir o que os viajantes calejados tinham a dizer de sua justiça. Aí a certeza tornou-se tão forte que já não havia outro desfecho possível para nós. Demos voltas e baldrocas à nossa candidatura, escrevemos e reescrevemos, planeámos e replaneámos. Demos tudo o que conseguimos a este projeto e, os astros, alinhadinhos como quando se precisa, lá permitiram a imaginação tornar-se realidade. Vencemos o concurso e o sonho ganhou vida.

Nunca fizemos uma viagem assim, durante tanto tempo e de trouxa às costas. Mas não queremos viver numa casa sem conhecer todas as suas divisões, a beleza dos seus cantos e recantos, a humanidade da sua gente.

Não podemos terminar a nossa apresentação sem agradecer aos verdadeiros catalisadores desta aventura, a Gap Year Portugal e a Fundação Lapa do Lobo, por acreditarem em nós.

A ti, leitor, especialmente tu que te revês nestas palavras: continua a sonhar! Ou, num tom mais pragmático: fica atento às iniciativas da Gap Year Portugal!

Quanto a nós, vamos dando notícias, e em breve poderão acompanhar este tal projeto de que estamos para aqui a falar.

Beatriz e Pedro

@unwrappinghumans

Gapyear

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