Não entrei no curso que queria. E ainda bem!

Estamos já a meio de Novembro e os exames do ano lectivo passado parecem longínquos, como se apenas de uma memória vaga se tratassem. Tento não lhes atribuir grande peso, oferecer-lhes apenas um espaço mínimo nas recordações do secundário. Porém, a realidade é esta: mudaram toda a minha vida, mais do que se calhar quero pensar.

Correram mal. Ou antes (tentemos manter uma atitude positiva), não correram tão bem quanto precisava e terei a extraordinária possibilidade de os repetir. Mas não só: ao mesmo tempo, viverei tudo o que esta repetição implica… e muito mais!

Ao longo destes dois meses, desde o fatídico dia das colocações, aprendi a ver o que se passa na minha vida mais como uma oportunidade do que como um problema. À minha maneira, estou a viver um verdadeiro gap year: experimentei cursos através do Programa Experiências Académicas, estou a ter aulas de espanhol, a acabar o curso secundário de música (que de outra forma seria eternamente adiado), vou viajar durante algum tempo… Simplificando, tenho feito coisas que sempre pensei que acabaria por não fazer. No entanto, esta mudança não fica só ao nível dos estudos; enquanto pessoa, sinto que cresci imenso apenas neste curto espaço temporal.

Verdade seja dita, nem tudo são rosas. É preciso possuir muita disciplina para conseguir manter um ritmo de estudo conveniente e preparar exames durante um ano passado fora da escola. Contudo, reiterando ideias já aqui referidas, considero isto uma oportunidade para aprender a reagir em momentos diferentes daqueles a que estou habituada.

Até agora, já ganhei muito mais do que perdi (se efectivamente tiver perdido alguma coisa), e muito mais está para vir.

Mesmo dando por conhecido o resumo dos meus últimos tempos, acho necessário aprofundar mais a minha história para tornar claro o ponto a que quero chegar. Ora bem, não tendo entrado no curso desejado, acabei por ser colocada num outro, com o qual não me identificava o suficiente para realizar a inscrição. Os meus pais apoiaram totalmente a ideia, mas muita gente não. Em conversas com algumas pessoas ouvi de tudo um pouco: desde que podia simplesmente ter experimentado o tal curso até que os meus pais me deviam ter obrigado a inscrever e que já não faria mais nada o resto da minha existência.

Caríssimos adeptos de tão retrógradas ideias, porventura sabeis vós que, segundo a Organização Mundial da Saúde, a esperança média de vida ronda os 71,4 anos? Face a este facto e feitas as contas, um ano equivale a cerca de 1,4%. Qual será a influência deste número para mim daqui a uma ou duas décadas?

A resposta? Muito pouca, quase não vai fazer diferença, atrevo-me a dizer. Parece-me mais prejudicial ser obrigada a optar por algo indesejado do que ter o atrevimento de parar alguns momentos para pensar, arejar as ideias e lançar-me novamente aos meus objectivos, com muito mais força.

Posto isto, resta-me salientar a (drástica) mudança de mentalidade que creio ser necessária:

Os exames não definem a minha vida, a faculdade não define a minha vida, um ano a mais de preparação não define a minha vida.

Talvez tropece, mas nunca me deixarei cair por uma pedra que esteja no meu caminho. Parece-me que toda a gente devia poder escolher o seu trajecto, optar pelo rumo adequado a si próprio.

Mudaram-se os tempos. Pois, mudem-se também as vontades. Quanto tempo será preciso até todos aceitarmos isto?

 

– Helena Fonseca

Gapyear

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