Erasmus: viver em Madrid May 11, 2017 Redação Gap Year Portugal #Educação Leave a comment A Mariana Fortes, natural de Braga, tem 20 anos, é estudante do 3ºano de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho, e é uma aspirante a profissional de Publicidade e Relações Públicas. Esteve de Erasmus em Madrid, na Universidad Complutense, de Setembro a Fevereiro de 2017. Onde fizeste Erasmus e porque é que escolheste esse sítio? Estive a fazer Erasmus em Madrid, capital espanhola, de setembro a fevereiro deste ano. Confesso que a decisão de me inscrever neste programa não foi fácil, mas fui sempre bastante encorajada pela minha família e amigos. Sempre me disseram que esta seria uma experiência incrível, não só a nível pessoal como profissional, o que realmente se veio a comprovar. A escolha pela capital madrilena deveu-se sobretudo a dois fatores: em primeiro lugar, por não ser muito longe de casa, mas também por ser uma cidade que não conhecia e já era um desejo antigo, como também por ter uma das melhores faculdades do país na minha área. Plaza Mayor Quais foram as tuas grandes dificuldades antes da partida? Uma das principais dificuldades prendeu-se com a realização do “Learning Agreement”, já que as disciplinas que escolhi, com a ajuda da professora responsável pelo processo Erasmus, mudaram quase por completo quando cheguei à Universidad Complutense. Enquanto umas estavam em sobreposição de horários, outras pertenciam ao segundo semestre, logo não as poderia frequentar. No entanto, este é um aspeto quase inevitável e bastante natural de acontecer. Contudo, o maior desafio antes de partir para Madrid foi, sem dúvida, a procura do alojamento. Na Universidade do Minho, tanto os SRI (Serviços de Relações Internacionais) como a professora responsável avisaram-me sobre a dificuldade em arranjar casa em Madrid, visto que a Universidad Complutense não tem contratos com residências. Logo, todo o processo do alojamento teria de ser feito por conta própria. Assim sendo, juntamente com colegas meus, que também iam fazer Erasmus para Madrid e com quem contava partilhar casa, perguntarmos em vários grupos do Facebook, especialmente no grupo “Portugueses em Madrid”, e procuramos casa também em vários sites de alojamento para estudantes, inclusive, mandando emails a alguns proprietários. Nesta última situação, das duas uma: ou não obtínhamos resposta ou então havia sempre algum impedimento, que na maior parte das vezes estava relacionado com o facto de os proprietários não fazerem contratos inferiores a 9 meses. Deste modo, a única solução que encontrei foi ir a Madrid no final de agosto para tentar encontrar casa, antes de começarem as aulas. Como foi a tua experiência com o alojamento? Como já devem ter percebido, toda a experiência com a procura do alojamento foi bastante cansativa e stressante. Posso mesmo dizer que foi dos momentos mais desesperantes que já vivi, mas ao mesmo tempo me deu algumas lições que ficaram para toda a vida. Os três dias que estive em Madrid com os meus pais a procurar casa foram realmente loucos. Fizemos dezenas de chamadas, fomos a agências imobiliárias, falamos com pessoas locais que nos pudessem ajudar, andamos de um lado para o outro na esperança de vermos algum cartaz que dissesse “se alquila” (aluga-se). E foi mesmo desta forma que consegui encontrar casa para a minha estadia, curiosamente, numa das praças mais famosas e bonitas de Madrid, a Plaza Mayor. Durante os 6 meses que se seguiram, fiquei alojada num apartamento em frente ao famoso Mercado de San Miguel, com uma amiga e colega de curso. Como tal, a casa ficava mesmo no centro de Madrid, o que foi ótimo para conhecer a cidade. Por outro lado, a universidade ficava a uns 40min a pé, por isso tínhamos de apanhar o metro. Vista de casa para a Plaza Mayor Rua da minha casa Como comparas o ensino de lá com o português? Em setembro, cheguei a Madrid com a ideia de que o nível de exigência da faculdade seria bastante elevado, tanto por opiniões de colegas que já lá tinham estudado como de professores. E a verdade é que, lá no fundo, estava com receio que as disciplinas fossem ser muito difíceis. Contudo, percebi que esse nível de exigência de que tanto se falava não era muito diferente do que já estava habituada. Todas as semanas tinha trabalhos para fazer, pesquisas ou tarefas de aula para acabar. No entanto, tinha também bastante tempo livre, mais do que aqui em Portugal, com tardes livres. A nível de testes, havia a época de exames em que tínhamos de realizar um exame final por cada disciplina, salvo uma ou outra em que o professor atribuía uma nota final com base apenas na assiduidade e trabalhos realizados, individuais e em grupo. Chegando então à época de exames, aumentou a ansiedade e o medo de reprovar a alguma cadeira, já que depois não havia a possibilidade de ir a uma segunda fase como aqui em Portugal. Qual a melhor maneira de te deslocares dentro da cidade? Sem dúvida alguma que para qualquer jovem a estudar em Madrid, o metro é a melhor opção de transporte dentro da cidade. Há um passe de metro próprio para estudantes que custa 20€/mês e que engloba todas as linhas principais de Madrid, nas quais podemos circular as vezes que quisermos todos os dias. Como geriste o teu dinheiro enquanto lá estiveste? No meu caso, como o alojamento ficava mesmo no centro da cidade, acabou por ser mais caro e por isso optei por tentar poupar o máximo possível, também uma vez que a bolsa de Erasmus não cobre os 6 meses de estadia e, por vezes, nem metade. No meu dia-a-dia comia quase sempre em casa, salvo quando tinha aulas de manhã e de tarde, e nesse caso almoçava na cantina da universidade, em que gastava por um menu com prato principal, sobremesa, pão e água (não há sopa), 2,5€. Quanto a jantares fora ou saídas à noite, aconteceu mais no início como forma de conhecer a cidade e o ambiente. Depois disso, com as aulas e trabalhos, fazíamos jantares com amigas em casa, para ser mais económico. Só em situações especiais é que fui a um restaurante, por exemplo quando os meus pais me foram visitar ou quando recebi alguns amigos de Portugal. Muitas pessoas aproveitam o Erasmus para conhecerem outros sítios. Por onde viajaste enquanto lá estiveste? Enquanto estive em Madrid tentei conhecer o máximo possível, os sítios mais emblemáticos como museus, o Palácio Real, a zona histórica, a Gran Via, zonas mais comercias, jardins como o Parque do Retiro e muitos outros. A cidade é enorme e há imensas coisas para visitar, muitas delas gratuitas. Fora de Madrid, fui a Toledo, com um grupo de amigas, também portuguesas, uma cidade mais pequena mas que gostei imenso de conhecer, com um ambiente muito mais histórico. Fomos de autocarro utilizando o passe do metro, logo não gastamos dinheiro com o transporte. À parte disso, gostaria também de ter ido a Barcelona e a Sevilha, mas as viagens ainda eram caras e era necessário encontrar estadia. Com amigas portuguesas em Toledo Toledo ao final da tarde Quais foram as tuas maiores dificuldades lá? Para além do alojamento, tive alguns problemas burocráticos no momento de fazer a inscrição da matrícula na universidade. Estas são dificuldades por que passam todos os estudantes Erasmus, mas penso que poderia haver melhor comunicação e organização entre a universidade de origem e a universidade de acolhimento. A língua, ao início, foi um desafio para mim pois nunca tinha tido espanhol e, apesar de ser muito parecido com o português, ainda há algumas coisas que são bastante diferentes. Como tal, em setembro, antes de começarem as aulas em outubro, frequentei um curso de espanhol fornecido pela universidade, durante duas semanas. Esse curso ajudou-me imenso na minha integração e a melhorar as minhas capacidades linguísticas. Como caracterizas as pessoas e a cidade? No geral, as pessoas são simpáticas e acolhedoras, porém, como se trata de uma grande cidade não há a proximidade característica de uma cidade mais pequena onde quase toda a gente se conhece. Os professores falam connosco, perguntam se nos estamos a ambientar bem à cidade, se precisamos de ajuda com alguma coisa e mostram-se sempre disponíveis. Os colegas espanhóis, desde o início, se mostraram muito receptivos, no entanto, como já tinham os seus grupos de amigos não estavam muito tempo connosco, era sobretudo durante o tempo de aulas. A cidade é linda, uma das mais bonitas onde estive e, em particular, na época natalícia ganha um encanto especial, captando a atenção de milhares de turistas que a visitam todos os dias. Com grupo de amigas no Parque do Retiro O que ver/fazer em Madrid fora do circuito turístico? Madrid é uma cidade tipicamente turística, logo a maioria das atividades que se podem realizar são neste âmbito. No entanto, posso dizer que fora deste ambiente mais turístico foi bom poder passar tardes a estudar com colegas e fazer trabalhos no Starbucks ou então poder desfrutar de um jogo do Real Madrid num café perto de casa. Fonte de Neptuno iluminada Como é a vida noturna? Em Madrid, as noites académicas são às quintas-feiras. No centro, há sempre muitos jovens em cafés e bares até à meia-noite / duas da manhã, mas depois disso as ruas ficam mais desertas, pois a maioria dos jovens vai para discotecas perto da zona universitária (Moncloa). E para todos os estudantes que nos leem, tens alguma sugestão de coisas/sítios baratos ou até gratuitos? Grande parte dos museus em Madrid, como o Museu do Prado ou o Museu Rainha Sofia, têm um horário gratuito, num dia da semana específico. No caso do Museu do Prado é gratuito aos domingos das 18h às 20h. Um outro exemplo é o Parque do Retiro que é gratuito para toda a gente e está aberto todos os dias. É um parque enorme e muito bonito, onde se podem realizar várias atividades como, por exemplo, passear, sentar na relva a ler, passar uma tarde com amigos ou até comer um gelado (existem barracas que vendem snacks e gelados por todo o parque). Um espaço também muito atrativo é o Círculo de Belas Artes, perto da Praça de Cibeles, onde é possível ter uma vista privilegiada sobre a cidade de Madrid. A entrada para este espaço tem o custo de apenas 3€. No caso da restauração, para além das tão conhecidas lojas de fast-food, os jovens podem encontrar pequenas lojas chamadas “Happy Pizza” que têm uma campanha com o nome de “happy hour”, isto é, num curto período de tempo (algumas horas) podem encontrar deliciosas fatias de pizza pelo preço de 1€. Parque do Retiro Conta-nos a tua melhor história maluca/divertida/espontânea que caracterize o espírito do Erasmus? Uma das histórias de que melhor me lembro foi num fim-de-semana que fui com amigas a Toledo. Já tínhamos tudo planeado, mas quando chegamos à estação de comboios percebemos que não havia nenhum comboio com destino a Toledo que aceitasse o cartão jovem do metro. De modo que, andamos às voltas a perguntar a seguranças e postos de informação sobre qual a melhor opção. Aí, foi-nos dito que teríamos de apanhar o metro até à Plaza Elíptica e só depois apanhar o autocarro para Toledo. Ora, nisto, perdemos quase uma manhã inteira, a tentar descobrir o número do autocarro e os horários, mas conseguimos chegar antes do almoço. O resto do dia foi muito divertido, passeamos imenso, experimentamos algumas comidas típicas da cidade e, como estávamos em época natalícia, vimos as luzes e os efeitos de Natal que preenchiam toda a cidade. Natal nas Puertas del Sol Baseado na tua experiência, recomendarias esta cidade para fazer Erasmus? Sem dúvida! Apesar de ser uma cidade enorme e muito movimentada, com milhares de pessoas a invadirem as ruas principais, Madrid é uma cidade fantástica e com muitos sítios para ver e visitar. Madrid é uma daquelas cidades onde vou querer voltar, de certeza absoluta. Sinto que um bocadinho de Madrid ficou comigo quando me vim embora, tal como uma parte de mim também ficou lá. Tweet Post Views: 72