Ir lá para fora para crescer

“A sério que vais para Barcelona? Mas Espanha é já ali ao lado”. Acho que perdi a conta ao número de vezes que ouvi isto. Mas sim, eu vim para Barcelona. Sim, Barcelona foi a minha primeira opção! E sim, é ali mesmo ao lado de Portugal. E então? Barcelona é muito mais que uma cidade ali ao lado de Portugal. Sempre que sonhava com Erasmus, a maior cidade catalã passava-me pela cabeça. Pela sua vida, diurna e noturna, pela sua boa “vibe”, pelo seu bom tempo, pelos seus artistas, pelos seus belos edifícios e parques, e por muito mais. A cidade é incrível, o clima não desilude e há sempre 1001 sítios novos para descobrir. Em cada esquina há um bar ou um museu, e a vontade de passear nunca desaparece. Há arte por toda a cidade, recantos mágicos, vistas de cortar a respiração e muitas, mas mesmo muitas, festas!

Bunkers
Park Guell

No início não nego que tenha sido difícil. Burocracias atrás de burocracias, o arranjar casa, que em Barcelona é uma missão quase impossível, o ser praxada com um roubo e o habituarmo-nos a um ritmo de vida completamente diferente.. Pelo menos para mim, que me vi pela primeira vez a viver sem os papás e sem o conforto da minha casa. Mas a verdade é que Barcelona tem sido tanto, em tão pouco tempo. O sítio onde descobri os Bunkers, um dos meus lugares favoritos no mundo. E o sítio onde tenho crescido e ganhado mais maturidade. Sim, porque para além das festas (e nisso Barcelona está bem no topo), Erasmus também é chegar a casa às 9 da noite, depois de um dia cheio de aulas, e ter de fazer o jantar. Isto para uma pessoa que pouco mais sabia do que fazer uns ovos mexidos ou pôr a massa a cozer, mas nada que uns tutoriais da mãe não resolva!

Parc de la Ciutadella
Museu Nacional de Arte da Catalunha

Erasmus tem sido falar 3 idiomas por dia – português, inglês e espanhol – e mudar para qualquer um deles a qualquer momento. Tem sido ficar nas discotecas até ao fecho, e acordar umas horas depois para não perder as aulas de economia, com professores que nos pagam o pequeno-almoço.

É tratar os professores por tu, e rezar para que as aulas não sejam dadas em catalão, e para que os testes sejam sempre com escolhas múltiplas.

É ter de ser independente, e tratar de todos os problemas que possam surgir. É ter toda a liberdade do mundo, mas ao mesmo tempo ser mais responsável.

É ir às festas, às aulas, e tentar aproveitar todo o tempo livre para conhecer a nossa nova casa. No fundo, é arranjar um segundo lugar no mundo onde nos sentimos verdadeiramente em casa!

Por isso, tu que me estás a ler e tens o bichinho de Erasmus dentro de ti, vai! O pior que pode acontecer é apaixonares-te pela tua nova casa e nunca mais de lá quereres sair!

Bunkers

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