Uma aventura à vela

Sim, é verdade, também se anda à boleia no mar!

Há quem goste de passar mais tempo no mar do que em terra. Há quem goste de ficar com sal no corpo de um dia para o outro. Há quem goste de não ter rede, nem internet, nem notificações. Ter de poupar electricidade e água, porque são limitadas. Estar à mercê do vento, e não saber em que dia vai chegar.

Pois bem, nós somos assim. Gostamos disso tudo, da incerteza, da aventura, do contacto com a natureza e, sobretudo, gostamos do mar!

E por isso decidimos fazer uma viagem. Chamámos-lhe life ON board, e queremos provar que também se anda à boleia no mar!

Cadernos e rabiscos

A andar à vela


Em Abril, começámos a primeira parte desta aventura. Arrancámos de Lisboa, rumo a Sevilla e Málaga, ainda de carro. Até que chegámos à marina de Almuñecar, embarcámos no ‘nosso’ primeiro barco, à boleia de um casal sueco. Não os conhecíamos, nem eles a nós nos conheciam. Apostámos tudo na boa vontade deles em receberem-nos, e eles na nossa sede de aventura e na vontade de andar à vela.

Podemos dizer que foram dez dias muito bem passados! Passámos algumas noites em marinas e outras noites dormimos fundeados em baías quase privadas, acordámos perante praias desertas. Logo de manhã, mais do que uma vez, desfrutámos do tão apreciado ‘mergulho matinal’, seguido de um pequeno-almoço de honra! ‘Papas de aveia ao estilo nórdico’, o cozinhado habitual todas as manhãs, feito pela Ulrika e pelo Joel, os donos do barco e nossos primeiros anfitriões.

Uma das baías onde fundeámos


No mar, tivemos oportunidade de nos conhecermos melhor – entre nós as duas, afinal não nos conhecíamos assim há tanto tempo – e também para conhecermos melhor a história dos nossos skippers suecos. Uma história muito interessante, diga-se de passagem… de quem vendeu tudo, se despediu do trabalho, comprou um barco à vela e decidiu navegar até ao Mediterrâneo. Curioso, hum? Mas isso dava para outra história…

Entretanto, durante a estadia neste barco, o La Vie, experimentámos ainda como é viver com cães a bordo – eles tinham dois cães – e apesar de a dona aspirar o barco todos os dias, a toda a hora, havia pelos por todo o lado! Mesmo assim, adorámos a experiência e até aprendemos a treiná-los como sentar, deitar e ‘vai para ali’ em sueco.

LaVie, o barco que nos deu boleia

A bússola a bordo


A bordo, partilhámos todas as tarefas. A cada um calhou a sua vez de cozinhar, ir ao leme, ajustar as velas, pescar em andamento, ler um livro ou dormir uma soneca! Houve tempo para tudo, desta vez ninguém enjoou, todos fomos ao leme, não se pescou nada, leram-se algumas páginas e dormiu-se muito!

Este é um breve resumo da nossa viagem de teste, que fizemos em Abril, e apenas uma pequena parte do que aí vem.

A nossa grande viagem começa já este mês de Julho! À boleia de barcos à vela, pelo Mediterrâneo, entre Julho e Setembro, queremos completar 100 dias à vela (incluindo os dias da viagem de teste). Temos o objectivo de fazer entrevistas a 100 velejadores e assim dar a conhecer o modo de vida a bordo.

Queremos descobrir o modo de vida no mar e partilhar a nossa aventura, e assim inspirar-vos a seguir as vossas paixões. Podem ir acompanhando a nossa viagem através do nosso blog e nas redes sociais: Instagram, Facebook e site.

Se conheces alguém com barco à vela (ou algum amigo de um amigo), ajuda-nos a encontrar a próxima boleia!


Fica a conhecer as velejadoras/escritoras:

Carmo

A minha relação com o mar começou no desporto escolar, aos dez anos, dentro de um Optimist, continuou na competição durante mais cinco anos, e desde aí, que a vela assumiu um papel permanente na minha vida. Sempre que posso, gosto de entrar em regatas, e desde que esteja dentro de água estou bem! Na passagem da Tall Ships Race por Lisboa em 2012, fui voluntária e acabei por ser desafiada a embarcar de Lisboa até Cádiz – foram 4 dias em regata num barco à vela Escocês de 80 pés; foi uma experiência que me marcou muito e que semeou a ideia de um dia vir a criar um projecto como este. Durante as férias de verão escolhi sempre trabalhos relacionados com a vela: comecei por ser hospedeira e ajudante de skipper, depois trabalhei como marinheira de serviço na marina de Cascais, e hoje sou treinadora de vela também em Cascais. A junção dos meus anos de vela com todas estas experiências fizeram-me perceber o quanto a vida no mar, ao mesmo tempo que faz sentido para mim, desperta ainda tanta curiosidade. O bichinho de 2012 e o meu gosto por escrever, fotografar e conhecer melhor as pessoas levou-me a querer transformar esta curiosidade num projecto de viagem.

Carmo com o spinnaker


Inês
A vida a bordo sempre me fascinou e aos 13 anos embarquei na minha primeira aventura a bordo: um fim-de-semana no Navio de Treino de Mar Creoula! E por mais 3 anos consecutivos continuei a seguir os ventos que me levavam a este navio, sempre com equipas diferentes e novos desafios. Foram estas primeiras experiências que me cativaram e mostraram o que significa “a vida no mar”. E assim começou a minha odisseia no mundo da vela. Comecei a praticar vela ligeira no CNOCA, o clube que me acolheu durante 3 anos, e que me viu cresceu até entrar na universidade. E assim continuei a procurar novos desafios, desta vez em portos desconhecidos: decidi experimentar a vela de cruzeiro, tirar a carta de Patrão Local e continuar a alimentar o gosto pelo mar. Em 2012 tive oportunidade de ser voluntária na Tall Ships Race e estive alocada ao Navio Santa Maria Manuela. Foi uma experiência única em que conheci a tripulação e ouvi as suas aventuras na primeira pessoa, despertando ainda mais a minha curiosidade e vontade de partir. No verão de 2014 comecei a minha “carreira náutica” numa empresa marítimo-turística, como tripulação de apoio ao skipper. Foi o melhor trabalho de verão que poderia encontrar e durante os anos seguintes, até agora, continuo a colaborar com várias empresas náuticas. Recentemente, tirei a carta de Patrão de Costa, o que me permitiu aprofundar os conhecimentos de navegação costeira e relembrar toda a teoria que nunca deve ser esquecida por quem gosta de explorar o mar. Resta agora a carta de Patrão de Alto Mar, um desafio mais elevado, que me permitirá navegar pelas estrelas e aventurar por infinitos oceanos. Dar a volta ao mundo à vela sempre fez parte dos meus sonhos e esta aventura é apenas o primeiro passo para o tornar realidade!

A trabalhar no back office

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