O mundo é tão pequeno!

O mundo é mesmo pequeno, nunca pensaram nisso? De certeza que já.

Quanto mais viajo, mais me dou conta das coincidências de que a vida é feita – ou, então, é o mundo que é mesmo minúsculo e não há volta a dar, nas nossas pequenas voltas ao mundo.

Há pessoas com as mesmas ideias que tu, noutro país, noutro continente. Como é possível, se nasceram em contextos tão distintos do teu e têm idades e antecedentes tão díspares? É possível, sim.

Estar a viver na América do Sul há oito meses transformou-me numa crente! Sempre me defendi como ateia, do mais fundamentalista que pode existir, em relação a qualquer tipo de crença. Até agora. Aprendi a não ser intransigente comigo e com os outro e a acreditar num pouco na magia de que é feita a dita esfera em que vivemos. A acreditar na natureza e na sorte, nas pessoas e na força interior de cada um; nas boas energias e até (um bocadinho), no chamado karma. Isto de viver entre mexicanas com um espírito meio hippie abre-nos a mente para outras ideias.

Há quatro meses apanhei o avião do Uruguay para o Chile. Quando estava a chegar à sala de espera, no aeroporto de Montevideo, “dei de braços” (porque me sentei ao lado dela!) com uma amiga minha chilena que iria regressar a casa no mesmo voo que eu. Tinha-a conhecido num workshop para construir bicicletas e, na altura, ofereci-lhe a bicicleta que seria para mim e que ficou pronta mais cedo, porque ela trabalhava longe de casa e, naquele momento, necessitava mais dela do que eu. Com o acordo de que ela viria ao workshop seguinte para me ajudar a acabar a que seria minha. Ela nunca apareceu. Acredito que se tenha esquecido completamente e só a voltei a encontrar passado umas semanas, na visita a uma escola sustentável, quando ela já estava de saída. O acaso de voltar a encontrá-la, precisamente naquele voo, foi incrível, porque eu não tinha comprado o transfer do aeroporto para o centro da cidade e tinha combinado com as minhas colegas de casa (que já estavam no Chile) passado pouco tempo de aterrar. O namorado dela estava à nossa espera mal aterrámos em Santiago e guia melhor não podia pedir, para a primeira entrada na cidade e no país, com direito a “cunhas” em restaurantes para almoçar e tudo!

Passagem de ano de 2016 a 2017, num miradouro com a cidade de Valparaíso, no Chile, aos pés. Os amigos todos reunidos: os portugueses (com o nosso ruidoso patriotismo!), os espanhóis, os chilenos, os  argentinos e os mexicanos! O fogo-de-artifício não deixa de se ver, com os desenhos repetindo-se ao longo da baía; as luzes, as cores, que se viam muito mais nítidas, talvez por já estarmos com o efeito do pisco! Vindo do meio dos festejos todos, dos que brindavam, saltavam e desfrutavam da “melhor noite do ano”, ouvimos um grito, um chamar de perto, meio em chileno, meio em português. O Jonás, um amigo chileno que tinha feito intercâmbio em Portugal, aparece-nos à frente. Não o víamos há mais de um ano, não nos recordávamos que ele era daquela cidade (de tantas que há no Chile!) e estávamos na noite da passagem de ano, rodeados por milhares de pessoas, numa cidade que é conhecida por ter a segunda melhor e maior noite de ano novo na América do sul!

No salar de Uyuni voltei a comprovar a magia das coincidências. Encontrei um amigo da universidade do intercâmbio que fiz no Uruguai, que não via há meses, desde que tinha deixado o país. Seguimos juntos, cada um no seu grupo do tour para o Chile, até San Pedro de Atacama.

Estas são apenas algumas das tantas, tantas coincidências, que aconteceram nesta grande aventura! Os acasos que fizeram histórias nas minhas viagens são algumas das coisas que mais guardo na memória. Acasos que reúnem amigos em cidades longínquas, outros que te permitem boleias com quem já não vês há muito tempo, ou ainda os acasos em que encontras amigos na estrada, mas continuas “ a dedo” porque o carro está cheio com tantos amigos!

Também há as coincidências dos desencontros, daqueles espaços de tempo que, se movidos, permitiriam encontros inolvidáveis. Os desencontros improváveis, aqueles que parecem impossíveis, mas que acontecem.

E o mundo é mesmo pequeno. Se fosse grande, não sei como seria. Talvez esta magia dos acasos, das coincidências, dos desencontros não existisse. E quanto mais voltas lhe dás, melhor se comprova essa pequenez, porque apesar de todas as diferenças, nas crenças, costumes e mentalidades, somos todos parte dessa pequena sabida esfera azul e verde.

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Ana João

A vontade de correr o mundo acompanha esta bracarense desde pequenina. Independente, curiosa e com uma enorme sede de aprender, já percorreu a Europa de autocaravana. Apaixonada por viagens, livros e arte, frequenta o 4 ano do curso Mestrado Integrado em Arquitetura da FAUP e, paralelamente, um curso de Italiano. Juntou-se à AGYP com vontade de fazer chegar o " mundo dos viajantes" a todos os jovens (de espírito e alma).

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