Erasmus: viver em Milão

Hoje o blog da Gap Year traz-vos a primeira entrada da nova rubrica sobre experiências com o programa Erasmus+. Uma série de entrevistas àqueles que viveram e estudaram lá fora e que agora te contam todos os “do’s and dont’s” sobre as mais variadas cidades.

Esta é a oportunidade para tirares todas as dúvidas sobre aquele sítio especial que tens andando a catrapiscar. Hoje trazemos-te Milão, a cidade da moda e da arte.

  • Onde estás a fazer Erasmus e porque é que escolheste esse sítio?

Fiz o meu Erasmus em Milão por variadas razões. A maior delas foi a qualidade da faculdade para onde iria. Consegui ir para o Politécnico di Milano, a 10ª melhor faculdade de Design (a minha área de estudo) do Mundo, e terceira melhor da Europa.

Em pleno no Lago Como

  • Quais foram as tuas grandes dificuldades antes da partida?

Em termos pessoais, deixar a familia e amigos torna-se sempre complicado, mas acabamos por perceber que em breve estariamos juntos de novo. A grande chatice foi mesmo a quantidade de burocracia necessária para participar no programa Erasmus.

  • Como foi a tua experiência com o alojamento?

No que toca ao alojamento fui para Milão já com tudo tratado. Fui acompanhado com 3 colegas de turma e acabámos por dividir uma casa que encontrámos no site Uniplaces.com. O processo foi rápido e fácil, zero razões de queixas e sem preocupações.

Local a visitar: Cemitério Monumentale, Milão
  • Como comparas o ensino aí com o português?

Na minha área em específico – Design -, diria que o ensino em Itália está mais avançado. Embora tenha o grande problema de se concentrar demasiado no que se passa lá dentro. Achei o ensino bastante bom, porém altamente egocêntrico e por vezes nada razoável com estilos gráficos que, tal como o meu, vinham de outros países que não Itália. Não diria ser mais fácil ou mais difícil, talvez mais exigente a nível de quantidade de trabalhos, mas de resto não achei grande diferença, sem ser a tal intolerância.

Politécnico di Milano, Campus Bovisa

  • Como geriste o teu dinheiro enquanto lá estiveste?

Em termos de gestão de dinheiro trata-se de bom senso. Comi 90% das vezes em casa, guardando para saídas à noite e, porventura, almoçava e/ou jantava em restaurantes com amigos. Recomendo altamente que se saiba cozinhar, poupa-se muito dinheiro e tem-se uma melhor alimentação, ficando-se assim com dinheiro para realmente disfrutar da experiência.

  • Muitas pessoas aproveitam o Erasmus para conhecerem outros sítios. Por onde viajaste enquanto aí estiveste?

Tive a sorte de ainda viajar um pouco. Dentro de Itália visitei as cidades de Como, Bergamo, Verona, Bolonha e Florença. Fui também ao Oktoberfest em Munique, na Alemanha.

Passeando pelas ruas de Florença

Oktoberfest em Munique

  • Quais têm sido as tuas maiores dificuldades aí?

A burocracia é realmente uma grande chatice mas não tem um papel minimamente activo para piorar a experiência. A língua, no meu caso, achei acessível e o alojamento também, embora recomende uma boa escolha de roommates, porque essa escolha vai ditar a tua estadia.

  • O que ver/fazer em Milão fora do circuito turístico?

Existem imensos locais fantásticos a visitar em Milão: para universitários, bares como o VOID, Rollover e Frida tornam-se locais perfeitos para dançar e conhecer os locais sem serem invadidos por turistas. Os vários lagos à volta de Milão são também locais altamente recomendados a serem visitados.

As famosas bicicletas italianas

Local a visitar: Tré Torri, Milão

  • Como é a vida nocturna?

A vida noturna na cidade é fenomenal. Milão oferece uma panóplia de bares, discotecas e restaurantes com o chamado “aperitivo”. O costume numa noite italiana é ir a um restaurante perto da zona de Navigli, pagar 10 euros e termos direito a um cocktail que normalmente custaria 9 euros. Isto acaba por compensar, pois o cocktail é acompanhado com um buffet grátis de várias pastas, carnes frias e quentes, saladas e sobremesas. Após o aperetivo cabe à pessoa escolher um dos vários bares que eu já referi, ou então a famosa discoteca Alcatraz.

Halloween Milanês recomenda-se

  • E para todos os estudantes que nos lêem, tens alguma sugestão de coisas/sítios baratos ou até gratuitos?

Milão é uma cidade cara, mas como em todas as cidades europeias existem várias actividades e locais grátis. Tirando o facto que passear ainda não cobra imposto, recomendo a visita ao Museu Moderno que às terças feiras, após as 2 da tarde, é gratuito. Outros museus como o 900, o aquário e outros são sempre gratuitos no primeiro domingo de cada mês. Também importante mencionar que os bares que referi, sem contar com o Alcatraz, são grátis nas festas de quinta-feira e sábado.

  • Conta-nos a tua melhor história maluca/divertida/espontânea que caracterize o espírito do Erasmus?

Tentando fugir de histórias em que vomito de uma varanda, quase que apanho um enxerto de um segurança de uma discoteca ou tento cumprimentar uma alemã com um beijo na cara, sendo prontamente recebido com um aperto de mãos, vou tentar contar algo com mais conteúdo. Muito bem, era o primeiro mês de Erasmus e eu ainda não conhecia muita gente. Fui jantar a um restaurante chinês com 3 amigos portugueses meus que tinha conhecido lá, e um belga que, embora nos adorasse, estava farto de nós e de nos atrasarmos sempre para todo o lado. Comemos bastante bem e barato e regressámos para casa de uma das portuguesas para o convívio (importante referir que entraria às 8 na noite seguinte, o meu último comboio era às onze, e eram 10h30). Lá fui eu para um cerveja, pensava eu que ia ser uma. Por volta das 10 e 45, um casal de italianos amigo nosso foi lá ter, e mesmo quando eu estava pronto para sair, ele disse que me levava lá de carro. Aceitei, como é óbvio. Depois de várias cervejas tomadas na varanda da minha amiga, de vários palavrões aprendidos em italiano e elogios à minha pronúncia, e de várias discussões artísticas e políticas eram entretanto 2 da manhã e íamos para casa – pensava eu. Dei por mim na casa da italiana, que por acaso vivia com um emigrante português, até às 6 da manhã, hora que teria de acordar para ir para as aulas. Depois de mais alguma bebida e conversa (lembro-me especialmente de um licor fenomenal italiano), levaram-me para casa. Eram umas 7 horas. Tomei banho, comi, abandoei a casa e fui para as aulas. Digamos que foi a primeira vez naqueles 6 meses que percebi que aquilo ia ser de outro mundo. Depois dessa, vieram muitas outras.

  • Baseado na tua experiência, recomendarias esta cidade para fazer Erasmus?

Recomendo altamente Milão para se fazer Erasmus. Sejam cuidadosos com o dinheiro, poupem para a noite e vão ver que se vão divertir mesmo muito.

Amigo novo pelas ruas de Bolonha


Pedro Vasconcelos Lopes

Pedro Daniel Vasconcelos Gomes Marques Lopes, 21 anos, estudante do 3º ano de Design no IADE. Erasmus no Politécnico di Milano, em Milão, durante um período de seis meses. Aspirante a Designer Gráfico com um gosto especial por música, fotografia e arte contemporânea.
Aspiração em fazer outra internacionalização e continuar a viajar pelo mundo. Especialmente ir a algum país asiático, como a Tailândia ou China.
Segue o trabalho do Pedro no Behance

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