À Descoberta de Israel: 6º Dia

O Miguel decidiu que este verão seria dedicado à aventura e, por isso, anda a viajar por Israel. Passou por Tel Aviv, Jerusalém, Mar Negro, Haifa e Mar da Galileia e, para te contar tudo sobre estes destinos talvez menos visitados, vai fazer um “takeover” aqui no blog da Gap Year Portugal onde vai relatar as suas impressões neste país tão peculiar.

Dia 6

O dia de hoje (sexta-feira) começou com um ataque terrorista no Temple Mount, de que vos falei no dia 4. Dizia eu que essa zona de importância religiosa para os muçulmanos (terceiro ponto mais importante do Islão) e judeus (aqui estava o templo principal do judaísmo, do qual apenas resta o muro das Lamentações ou Kotel) é regulada, ao mesmo tempo, “a meias” por Israel e pela Jordânia, pelo que a convertia num “hotspot” para conflitos israelo-palestinos e ei-los.

Nesta manhã de sexta-feira, 14 de Julho, 3 palestinianos e 2 soldados israelitas foram mortos na cidade velha de Jerusalém, a virtualmente 500m de onde eu estou, naquele que desde há muito tempo é o ponto crítico dos confrontos.

Na sequência destes acontecimentos, os portões que rodeiam a cidade velha fecharam por algumas horas e ninguém podia circular através deles para entrar/sair, incluindo eu, que ia visitar a Palestina. Por isso sentiu-se uma certa tensão na cidade durante a manhã, com patrulhas recorrentes e helicópteros a sobrevoar a área. Foi intenso.

A sexta-feira é o dia mais sagrado de Jerusalém – os árabes têm o seu dia para rezar e os judeus celebram o Shabbat.

As mesquitas foram encerradas preventivamente pela primeira vez em anos, portanto não se pôde rezar nelas (encerradas por Israel, que negou o acesso aos palestinianos que lá iriam rezar), naquele que é o mais importante dia de oração.

Quanto ao Shabbat, é uma cerimónia tipicamente judia que dura desde as 20h30 (pôr do sol) de sexta feira até, aproximadamente, à mesma hora de sábado. Ninguém trabalha (proibido) e ninguém guia, bebe, fuma ou usa o telemóvel (desaconselhado). É tempo de família e tempo de reza, entre a sinagoga e casa apenas.

Como fiquei barricado na parte interior das muralhas durante a manhã, refugiei-me no hostel e só pude sair de tarde para encontrar-me com o David.

Fomos ao shuk (Mahane Yehuda Market, falei-vos dele anteontem) no centro da cidade nova comer uma bela pescada com certificado kosher, o certificado judeu para poder comer à vontade (tem a ver com o que comem e como tratam a comida) e ficámos por lá durante a tarde com uma malta que conhecemos por lá.

O dia de hoje, para variar, foi intenso, mas isso não impõe barreiras à fé, nem sequer à vida normal. Toda a gente estava na rua igualmente passadas umas horas, a vida continua normalmente e os judeus celebrarão o Shabbat na mesma: no shuk divertiam-se e compravam comida para o jantar – afinal de contas é uma celebração (mas mesmo de fato e gravata!), como o Natal, mas uma vez por semana.

Entretanto assisti a uma cena interessante, quando um membro do exército que se juntou a mim e ao David e comprou comida para uma senhora árabe. Bonito e gravado em vídeo.

Vou, entretanto, partir para o Muro das Lamentações, onde me juntarei a eles para rezar e comemorar o shabat.

Conto-vos a experiência depois! Abraços!

Miguel Sampaio Peliteiro

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