À Descoberta de Israel: 4º Dia

O Miguel decidiu que este verão seria dedicado à aventura e, por isso, anda a viajar por Israel. Passou por Tel Aviv, Jerusalém, Mar Negro, Haifa e Mar da Galileia e, para te contar tudo sobre estes destinos talvez menos visitados, vai fazer um “takeover” aqui no blog da Gap Year Portugal onde vai relatar as suas impressões neste país tão peculiar.

Dia 4

Infelizmente não tenho tido muito tempo para escrever. Esta cidade é muito intensa, há sempre muita coisa a acontecer e a presença de tanto espiritualismo em tudo o que fazemos que chega mesmo a ser surreal.

Hoje comecei por visitar o Monte do Templo, de domínio muçulmano, que engloba o Golden Dome e a Mesquita Al-Aqsa – o terceiro ponto mais importante na história da religião a seguir a Meca e Medina. Este lugar é dos mais disputados historicamente desde que Israel anexou a cidade velha de Jerusalém e também esta zona ao seu território, sendo que são os jordanos quem administram o lugar hoje em dia. Confuso, certo? Um sítio sagrado para os muçulmanos/palestinianos anexado ao território israelita e administrado pela Jordânia – não admira que haja confrontos muito frequentemente.

Depois disso conheci o Anthony no hostel (o meu hostel situa-se no bairro cristão da cidade velha e é onde venho tomar um bom café turco de graça, portanto é sempre provável que vejam uma foto dele perdida na galeria) e visitamos o Mahane Yehuda Market, o principal mercado de Jerusalém. É basicamente um shuk como os árabes de Marrakesh, por exemplo, mas gerido pelos judeus. Bastante estranho na verdade, nunca tinha visto nada assim nem estava a espera de ver, mas parece-me interessante como um povo pratica um negócio originalmente típico de outro povo, sendo que ambos coexistem na cidade. Isto fica na parte nova, em West Jerusalém.

Parámos em Damascus Gate, pela parte Este (árabe) para almoçar o já tradicional pita de falafel – o mais barato das redondezas, por certo – e depois de separar caminhos com o Anthony fiz a sesta. Ando bastante cansado, na verdade, mais do que quando acabei os exames da faculdade antes de vir.

Tentei ir à cerimónia dos arménios na sua igreja principal mas foi-me negado porque estava de calções. Curioso que levei calças para visitar as mesquitas e nem era necessário, contudo depois sou barrado pelos arménios por causa das pernas. Não estava à espera disto e acabou por representar uma mudança de planos – fiquei bastante chateado.

Ato seguido, voltei para o hostel para tratar de reservas e segui para o Mount of Olives. Este monte é o principal cemitério de judeus no mundo e as covas mais caras chegam aos 250 mil euros, segundo um judeu que conheci. (Sim, eu pedi para repetir e eram mesmo 4 zeros!!!!) Tudo isto porque a religião judaica acredita que aqueles que aqui jazem serão os primeiros a ressuscitar aquando da vinda do Messias à Terra pela sua proximidade com o primeiro e segundo templos divinos dos judeus (segundo templo esse cujo único resto que existe hoje em dia é o próprio Muro das Lamentações). Na verdade, aparentemente há uns anos um grupo francês comprou cerca de um hectar de terreno no monte por 24 milhões de euros. Os judeus são negociadores natos, e muitos deles tem muito dinheiro (os famosos Rothschild são judeus por exemplo, descendendo de Amschel Rothschild, um judeu alemão que começou o muitíssimo prospero negócio da família – eles inclusivamente dão nome a uma das principais mais movimentadas ruas de Tel Aviv), portanto acaba por fazer sentido. Assistimos aí ao cair da noite, já que o monte tem vista sobre toda Jerusalém (velha e nova), que foi absolutamente lindo. Desde fora da cidade não se faz ideia do que se passa lá dentro, mas quase que se consegue sentir a energia que ela emana.

Para acabar o dia combinámos beber uns copos com uns amigos e no mesmo mercado Mahane Yehuda, que de noite vira a rua de bares de Jerusalém, juntei-me a uns israelis e depois conheci aleatoriamente o Aaron e o David. Como conhecem a cidade fomos passear por aí e tivemos uma perspectiva mais íntima e local de Jerusalém (comi uns charutos de carne – não era porco, os judeus não podem comer porco – que eram deliciosos. Adoro comer!).

Combinámos com eles fazer uma road trip de carro até ao Mar Morto hoje, que é por onde andarei. De certeza que aproveitarei bastante, estou feliz por tê-los conhecido e é incrível como cada dia promete mais que o anterior, e ainda mais incrível é que as expectativas se cumprem. Jerusalém, e Israel no todo que conheci, é simplesmente mágico.

Vemo-nos logo à noite! Muitos abraços!

Miguel Sampaio Peliteiro

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