À Descoberta de Israel: 3º Dia

O Miguel decidiu que este verão seria dedicado à aventura e, por isso, anda a viajar por Israel. Passou por Tel Aviv, Jerusalém, Mar Negro, Haifa e Mar da Galileia e, para te contar tudo sobre estes destinos talvez menos visitados, vai fazer um “takeover” aqui no blog da Gap Year Portugal onde vai relatar as suas impressões neste país tão peculiar.

Dia 3

Jerusalém é perder-se: é estar na paz da Arménia a apreciar as suas jóias, entrar na confusão de cores e cheiros das Arábias e acabar em Israel propriamente dito, no coração judeu.

As três religiões presentes naquela que é a cidade mais sagrada do planeta têm templos e lugares de enorme significado (alguns são até os principais no mundo) para quem as pratica: a Cúpula Dourada e a Mesquita Al-Aqsa para os muçulmanos (FUN FACT: originalmente os muçulmanos não rezavam para Meca mas sim para esta mesquita em Jerusalém); o túmulo do rei David (provavelmente o personagem mais relevante na história do judaísmo) e Monte do Templo com o que dele resta – o Muro das Lamentações – para os judeus; e a Igreja da Sagrada Sepultura com o túmulo de Jesus para os cristãos. É interessante notar que a divisão dos territórios que albergam os lugares tão sagrados mencionados acima nunca foi efectiva nem tampouco pacífica. Jerusalém foi conquistada e reconquistada por 34 vezes ao longo da sua história, mais que qualquer outra cidade no mundo, e só no século XVIII os Otomanos decidiram assinar um documento (o Status Quo dos sítios sagrados) de reconhecimento “territorial” para cada um dos 9 locais contemplados visando a coexistência dos povos. Ainda assim, como sabemos em 2017, a paz nunca foi atingida e os conflitos continuam sendo que o “status quo” é banalmente desrespeitado.

Continuando, visitei praticamente todos os sítios sagrados de Jerusalém de uma assentada, quer através do free tour quer perdendo-me pelas ruas da cidade velha, mas ressaltarei um episódio que creio ser aquele com mais significado para a religião mais praticada no meu país, e, por conseguinte, aquela com a qual tenho mais contacto.

O que aconteceu esta manhã foi simplesmente a maior experiência espiritual que já tive e sem dúvida a sensação mais forte que alguma vez senti na vida.

A Basílica da Santa Sepultura alberga, como diz o nome, o túmulo onde Jesus foi enterrado, sendo, portanto, o ponto mais importante do mundo desde sempre para o cristianismo e para os cristãos. Para uma maior compreensão do significado dela, este lugar alberga as últimas 4 estações da Via Dolorosa (são 14 no total), ou Via Sacra, caminho que Jesus percorreu (daí ser referido como Nosso Senhor dos Passos) do Pretório até ao Calvário (Golgotá) carregando a cruz.

Mas não só isso; na verdade há 3 partes importantes da Igreja, por ordem cronológica: Golgotá, onde Jesus terá sido crucificado e pregado na cruz; a Pedra da Unção, onde o corpo de Jesus esteve antes de ser sepultado; e finalmente a rotunda e o túmulo propriamente ditos.

Entrei no túmulo de Jesus com uma senhora que chorava incessantemente enquanto rezava e abençoava os pertences na pedra do túmulo, foi bastante intenso, para dizer o mínimo, ainda que não seja propriamente religioso – a verdade é que ninguém é de ferro, muito menos em Jerusalém.

Agora voltarei a explorar a cidade velha para desanuviar.

Abraços!

P.S.: os visitantes são do mais desrespeitoso que já vi – enquanto os templos religiosos normalmente só estão abertos a determinadas horas para não fiéis, esta igreja abre as portas a toda a gente e perde um bocado do seu encanto pelo barulho como nunca vi ser feito numa mesquita, por exemplo.

Miguel Sampaio Peliteiro

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