À descoberta da Cidade do México!

Tive a oportunidade de passar duas semanas na Cidade do México. É uma metrópole gigantesca, com alguns milhões de habitantes. Manejar os transportes públicos é um bico-de-obra, nesta cidade. Primeira coisa a aprender antes de embarcares numa aventura nesta capital: conta sempre com tempo extra para as deslocações. Para além de ser uma cidade massivamente grande, principalmente nas horas de ponta, o metro está a abarrotar e precisarás de imenso tempo para chegar de um lugar a outro.

 

A comida

Este é um tópico que pode não ter fim, neste país. Os mexicanos orgulham-se de ter uma das cozinhas mais variadas do mundo. E fazem questão de te mostrar tudo de bom e, talvez estranho (para ti que és estrangeiro), que poderás comer em cada lugar. A primeira coisa que provei assim que cheguei à cidade do México, na madrugada do dia 1 de junho de 2017, foi um atole. Devo dizer que foi a primeira e a pior coisa que experimentei nas semanas que passei no país. Um chocolate quente feito com milho não é o meu prato preferido, definitivamente. Há muito por onde escolher na gastronomia mexicana, e, apesar de eu ainda achar que um taco, uma quesadilha e uma tlayuda são coisas parecidas, os mexicanos ficarão ofendidos com esse tipo de argumentos. “Mas tens sempre tortilhas, queijo, feijão e carne” ao que te contrapõem que não é a mesma coisa e a tradicional “sabes quantos tipos de chiles há no méxico, nem os consegues contar de tantos que são” nunca passa de moda!

Uma das melhores coisas da cidade do méxico é que, independentemente da hora, sejam 4 da manhã ou 6 da tarde, há comida por todo o lado. Sejam as barraquinhas de salgados (com picante), a senhora dos atoles e das quesadilhas, alguém a vender “tacos de canasta” ou os churros a 1 peso (sim 1 peso!!!) no metro, tens muito por onde  escolher se decidires “salir de fiesta” e aproveitar a noite.

Um dos meus lugares preferidos na cidade do méxico para comer bem e barato (1,5 a 2 euros por almoço) é o mercado de Coyoacán. Este mercado tem opções para todo o tipo de pessoas e a comida é deliciosa e extremamente barata. Também no mesmo bairro, o de Coyoacán, tens imensas opções, fora do mercado, que  estão muito em conta, ainda que mais caras que no mercado.

Os museus

Há quem diga que a CDMX é a capital que reúne mais museus em todo o mundo. A verdade é que eu, em duas semanas nesta metrópole, visitei mais do que um ano a viajar pela a América do sul. Há-os para todos os gostos e interesses. O facto de ter muitos amigos Chilangos (é o que chamam às pessoas na capital), fez com que me orientassem em relação a tudo na descoberta da cidade e, mesmo antes de chegar a território mexicano, já tinha uma lista de recomendações do “tens de fazer, tens de ir, não podes perder” interminável. Consegui dar uns bons “check” nessa lista e partilharei  aquilo que mais me apaixonou, neste campo!

O museu nacional de antropologia: para além de ser uma obra arquitetónica e de engenharia impressionante, é também um museu muito bem conseguido, nas suas exposições. A quantidade de factos e história que poderás aprender se passares um dia neste museu é verdadeiramente incrível. Aconselho-te a guardares uma boa tarde ou dia para este museu. Caso não tenhas tanto tempo, pelo menos três horas, já que o espaço a visitar  é verdadeiramente gigante. É um bom lugar para te pores a par das tradições mexicanas e da história deste país também.

Museus de arte: O Soumaya e o Jumex são museus que estão ao lado um do outro e podes conjugá-los numa visita a esta parte da cidade. O Soumaya tem a entrada grátis todos os dias e o Jumex aos domingos. O MUAC, que está dentro da cidade universitária, também exige uma visita obrigatória, assim como o espaço escultórico da UNAM. A cidade universitária está um pouco deslocada do centro mas é muito interessante para visitar, uma vez que  é uma verdadeira cidade numa escala mais pequena. O palácio de belas artes também é um local a não perder e está bem no centro da cidade!

Casa museu Frida Khalo. Foi um dos lugares que ficou por ver, na minha visita. Este museu tem um preço mais elevado, pelo menos para os estrangeiros e, como estudo arquitetura, optei por visitar a casa do Luís Barrágan (o maior arquiteto mexicano), também ela mais cara, deixando a casa museu da Frida Khalo para uma próxima visita. Ainda assim, as opiniões que tenho ouvido sobre o museu fazem com que esteja no meu top de coisas a fazer quando voltar à CDMX. Foi o lugar onde nasceu e morreu uma das maiores pintoras do século XX e está situada no piroresco bairro de Coyoacán.

Lugares icónicos

O bosque de Chapultepec. É o parque maior e mais central da cidade e um lugar muito agradável para passar uma tarde, ou várias, dado que dentro do recinto do parque existem uns quantos museus e atrações, como por exemplo: O Papalote, o museu das crianças, o Museu de Arte Moderno, o Zoológico de Chapultepec ou o Castillo de Chapultepec. O castelo é um lugar muito interessante que tem uma vista incrível sobre a cidade. Aos domingos a entrada é grátis se conseguires fazer-te passar por Mexicano/a!!

Xochimilco: É um dos bairros mais icónicos da cidade do méxico. Já ouviste falar das trajineras? São uma espécie de barcos coloridos com mesas em que os amigos ou família se reúnen durante um domingo solarengo para passar um tempo juntos. É uma tradição que se cumpre em grupo, principalmente aos fins de semana. Nesses barcos, podes comer e beber e passear pelo que resta do enorme lago sobre o qual foi construída a Cidade do México. Se estiveres atento às construções enquanto passeias pelo centro da cidade, vais dar-te conta que muitas delas parecem inclinadas, qual titanic, como se estivessem a afundar-se. A realidade é que muita gente não sabe que a cidade do méxico se afunda uns centímetros a cada ano. Xochimilco é um lugar onde ainda se consegue ter uma percepção de como seria a cidade antes de se tapar quase por completo o lago, e de esta se tornar tão densamente povoada.

Coyoacán: É um dos bairros mais bonitos da cidade e o meu preferido. É impossível não adorar este pequeno centro que mais parece uma cidade pitoresca. As praças, os mercados, os museus, os coretos, a arte nas ruas e as cores são a alma de coyoacán e fazem deste lugar um dos mais agradáveis para passar uma tarde.

A cineteca: É um lugar de entretenimento incrível. O leque de opções que tens de “películas” é incrível e são das normalmente não encontradas nos cinemas normais. Este é um espaço dedicado ao cinema nacional e internacional, e um ótimo lugar para relaxar, mesmo que não estejas interessada em  ver um filme, nos espaços verdes que circundam o edifício.

Visita às pirâmides de teotihuacán: É uma actividade que te pode ocupar um dia inteiro porque estas se encontram no Estado de México e não na capital. Desde o terminal norte (ao qual podes chegar de metro), demoras aproximadamente uma hora até ao local. Na qualidade de alguém que visitou Chichén Itza, o mais famoso complexo arqueológico do México, continuo a achar que este complexo ( teotihuacán) é muito mais imponente. Talvez por ter passado o meu primeiro dia no México nestas ruínas, enquanto matava saudades de velhos amigos, este lugar ficou-me na memória como um dos mais especiais.

 

Tentei reunir alguns dos meus lugares preferidos na Cidade do México para partilhar neste artigo. Duas semanas não chegaram para conhecer tudo o que queria, mas foi bastante razoável o tempo que tive para explorar muitos recantos desta cidade. Ficou muito por ver, como fica sempre quando se tem um espírito  incansável.

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Ana João

A vontade de correr o mundo acompanha esta bracarense desde pequenina. Independente, curiosa e com uma enorme sede de aprender, já percorreu a Europa de autocaravana. Apaixonada por viagens, livros e arte, frequenta o 4 ano do curso Mestrado Integrado em Arquitetura da FAUP e, paralelamente, um curso de Italiano. Juntou-se à AGYP com vontade de fazer chegar o " mundo dos viajantes" a todos os jovens (de espírito e alma).

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