Uma lua-de-mel à volta do Mundo

Era uma vez uma volta ao mundo. Um casal, uma lua-de-mel, um amor. Mas antes disso tudo, era uma vez uma história – de vida.

Tinha eu pouco mais de vinte anos quando surgiu a oportunidade de fazer um programa de intercâmbio, no Brasil, através da faculdade que frequentava. Até lá, longe de mim pensar sair do país, estar longe de casa, da família ou amigos. Viajar por viajar nunca tinha sido a minha prioridade, nem tão pouco fazia parte dos meus sonhos. Era secundário, passava-me ao lado e vivia bem assim: acomodada e confortável na minha vida.

Com total apoio por parte da minha mãe, e até algum incentivo!, acabei então por ser aceite, com outras 3 amigas, nessa que foi a grande reviravolta da minha vida!

No Brasil, conheci o Tiago, aquele que é hoje muito mais que um marido. Mas passo a contar-vos a mais bonita história de amor, a nossa! Crescemos ambos em Caldas da Rainha, estudámos na mesma escola, fomos para o mesmo liceu, entrámos na mesma faculdade, no mesmo ano, e fomos ambos para o lado de lá do mundo estudar… sem que nunca nos tivessemos conhecido. Isto, até sermos vizinhos e termos a Lagoa da Conceição em Florianópolis como cenário para a primeira troca de olhares. E sorrisos!

E assim começou a nossa vida. Juntos.

O Tiago é, além da pessoa que escolhi para partilhar a vida (e, aos meus olhos, a mais bonita e serena que podia encontrar), a pessoa mais aventureira que conheço. Mas a nossa história de vida é parecida, na medida em que o Tiago também só mais tarde descobriu a sua grande paixão por viagens, quando antes de ir para o Brasil, esteve um ano de Erasmus na Polónia. Lá, deu inicio às suas mais tresloucadas aventuras à boleia e à aprendizagem de várias linguas.

Posto isto, e depois das nossas vidas se terem emaranhado, emaranhámos também as nossas paixões. Comecei então a viajar com o Tiago, primeiro em Portugal, depois pela Europa, e sem que pudesse dar por isso, já planeava viagens atrás de viagens.

Começámos a viver juntos, em Lisboa, terminámos os nossos cursos, o Tiago concluiu o seu mestrado e, em 2015, mesmo estando os dois a trabalhar, decidi partir. Foi talvez uma das decisões mais difíceis da minha vida, um dos descernimentos mais profundos a que me obriguei até aquela data, mas era algo que sabia querer: fazer voluntariado internacional.

Juntos, mas em lugares diferentes, sempre fizemos voluntariado em Portugal. Mas depois de concluida a minha formação com a Equipa d’África, depois de aceite, parti. Parti de corpo e alma, mas levava no coração o Tiago e tudo o que éramos juntos. Todos os nossos momentos, todas as nossas partilhas, todos os nossos abraços, sorrisos, carinhos e mimos. Guardei no mais profundo de mim a melodia da sua voz, o calor do seu corpo. E lá fui, em missão, por dois meses, para Moçambique.

Enquanto casal, esse foi talvez o período mais intenso que vivemos. E hoje sabemos que a separação física é muito dura para quem vive apaixonado. E feliz.

Foi então durante esse período emocionalmente atribulado e violento, enquanto entregava o melhor de mim na missão com que sempre sonhei, que o Tiago me pediu em casamento, entre choros e gargalhadas, pelo telefone, numa das curtas chamadas que faziamos semanalmente.

Até 12 de setembro do ano seguinte o tempo voou; mudámos de casa, de planos, de trabalho, de vida. E casámos. Casámos naquela que sonhamos que venha a ser a nossa casa, numa quinta de família. Casámos, numa cerimónia pequenina, com uma festa à nossa medida. Trocámos alianças, juras de amor eterno e casámos. E era então uma vez uma volta ao mundo: uma lua-de-mel. A nossa! Tão especial quanto nós, enamorada, apaixonada, original e imensa.

Juntos, perante o bem-querer daqueles que nos rodeiam, sorrimos, largámos tudo e partimos à aventura, naquela que está ainda a ser a mais maravilhosa de sempre. À boleia – sempre que por terra, com um budget máximo limitado, com o intuito de conhecer cada cultura, cada tradição, costume ou hábito, com o desejo de conhecer as comunidades e pessoas locais, com a ambição de nos entranhar na vida de cada pessoa que conhecemos e na história que trazem; assim é a nossa lua-de-mel.

A boleia, do nosso ponto de vista, é curiosamente a melhor maneira de viajar e a menos dispendiosa; e se e quanto ao fator económico não há dúvidas, ser esta a melhor maneira de viajar sabemos que é subjetivo. Ainda assim, a nossa crença é óbvia, porque apesar das incertezas e do tempo de espera, o contacto com as pessoas e as suas culturas, os ganhos ao nível de competências sociais e linguísticas e a esperança que nos dá em relação à bondade humana, faz da boleia uma caixinha de surpresas, onde as alegrias superam, suprimindo momentos menos positivos.

Desta forma, contamos com quase 13 meses de viagem, 32 países visitados, mais de 42.000 quilómetros de estrada feitos, mais de 450 boleias, um infinito de familias, casas, camas, amigos e histórias; e é sobre tudo isto que prometo escrever, com amor em cada palavra, de coração aberto.

Porque foi a viajar que (re)aprendi: a querer trocar de cidades e não de roupa, a olhar o outro com admiração, a dar valor a tudo aquilo que tenho, a melhor gerir as minhas frustrações e emoções, a respeitar o tempo, a ser paciente; e há tanta coisa por descobrir, tanta coisa por fazer…

Mas certo é, que como casal, aprendemos a ser mais e melhor, juntos. Porque nem tudo correu ou corre sempre conforme imaginamos e os desafios são diários. Mas o mais gratificante é, sem sombra de dúvida, ter o prazer de adormecer e acordar no seu abraço, em qualquer canto do Mundo!

 

Joana Oliveira 

Com 27 anos, Psicomotricista de alma e coração, Licenciada em Reabilitação Psicomotora pela FMH, Pós-Graduada em Proteção de Crianças em Perigo e Intervenção Local pelo ISCSP e mais recentemente Mediadora Familiar pelo IPMF. Assume-se apaixonada pelo contacto com outras pessoas, diferentes culturas e formas de estar. Depois de um programa de intercâmbio no Brasil, experiências de voluntariado em Portugal e em Moçambique e um casamento de sonho, deixou tudo para trás e partiu na lua-de-mel da sua vida: uma volta ao mundo, de mochila às costas e à boleia.

Instagram: @blogomundonamao

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