Bangkok – Charme versus Praticidade

“É como andar na corda bamba, estás sempre a um passo de te divertires ou de seres enganada.” – avisou-me um amigo meu umas horas antes de eu embarcar no voo para Bangkok. Com estas palavras a fazerem eco na minha cabeça, eu aventurei-me porta-fora do hostel. O meu primeiro instinto foi dirigir-me para o canal e apanhar o barco que eu sabia que tinha um preço fixo. Ainda não estava mentalizada para regatear preços de taxis e tuk-tuks e ser enganada.

Casas de Bangkok

O frágil barco que se aproximou do cais de Hua Chang não se parecia nada com o que eu tinha imaginado. E antes que pudesse pensar muito nisso, eu já estava a ser arrastada pelo shot de adrenalina que fez com que toda gente no cais trocasse de lugares com as pessoas que vinham no barco. Desorganização organizada, todos se mexem ao mesmo tempo.

 

Eu penso que o barco ainda nem estava apropriadamente ancorado, mas agarrando-me às cordas precárias penduradas no teto do barco, lá encontrei o meu “espaço” e o meu equilíbrio. Em menos de um minuto, o barco estava a toda a velocidade, salpicando os passageiros com água. Não existiam proteções laterais ou paredes, a não ser uma cortina de plástico que os passageiros tinham que levantar puxando por um cordel para evitar serem molhados. E para adicionar à brisa que naturalmente se fazia sentir pela locomoção, havia um par de ventoinhas penduras no teto.

Barco em Bangkok
Canal em Bangkok

Mas nem os húmidos 32ºC que se faziam sentir me fariam querer refrescar nestas águas. A água do canal é castanho sujo e cheira mal. Mas claro que isso não constituía um problema para os miúdos tailandeses que estavam a saltar com alegria para dentro do rio.

 

Com o barco em movimento, uma senhora lá vem a caminhar pelo lado de fora da cortina de plástico vender os bilhetes.  9 Bahts (0.25€) foi quanto me custou a viagem. Barato e divertido, exatamente da forma como eu gosto.

 

E no que Bangkok falta em charme, compensa na abundância de praticidade e foi isso mesmo que eu achei divertido. Entre templos e mercados lotados e águas de côco quentes, a diversão está nas estradas. É aquele tipo de diversão que combina uma boleia barata com o sucesso de cortar pelo trânsito e chegar ao destino com o cabelo despenteado.

Bangkok

Eu encontrei felicidade ao ganhar confiança para regatear os preços de uma viagem de tuk-tuk. Se a viagem parecesse demasiado barata, é provável que eu acabasse na loja do primo do condutor a comprar carpetes ou alguma outra coisa desnecessária. Eu sei que foi por sorte que isso não me aconteceu.

Tuk Tuk em Bangkok

Numa outra ocasião, eu aproveitei a lenta viagem sentada no “conforto” de um autocarro sem ar condicionado para admirar as ruas dos arredores de Bangkok. As ventoinhas estilosas penduradas no teto eram ineficientes contra as gotas de suor que escorriam pela minha pele. Mas, como eu disse, as ventoinhas eram estilosas. Serviu de aprendizagem e felizmente eu não tive que voltar a repetir a experiência.

Autocarro em Bangkok

Os táxis também têm muito que se lhe diga! Os que estão estacionados mesmo em frente a atrações turísticas têm sempre o taxímetro avariado. Mas se eu caminhasse 50 metros até ao fundo da rua e parasse um táxi, os taxímetros já funcionavam perfeitamente.

Ruas de Bangkok

Já os comboios… o meu momento mais rebelde foi abandonar um no meio do caminho ferroviário quando estava a chegar a Bangkok depois de um dia passado fora. Sim, o comboio estava parado (o meu nome não é Andreia Bond). Eu apenas tive que abrir a porta e saltar. A única coisa de que me arrependo foi não tê-lo feito 50 minutos mais cedo, quando parámos no meio da linha. Eventualmente eu lá me apercebi que estava suficientemente perto do meu hostel que poderia caminhar em vez de ir até ao destino final.

Estação de comboios de Bangkok
Estação de comboio de Bangkok
Barbeiro na estação de comboio de Bangkok

Mas o meu tipo de transporte favorito em Bangkok (e o mais eficiente tempo versus custos) foram os táxis-mota. Havia um não-sei-quê de adrenalina quando levantava a perna para o outro lado da mota e me segurava ao colete do condutor. No final de cada viagem estava tão estupefacta que pagava e ia embora com o capacete ainda na cabeça. Acho que só caía na realidade quando o condutor me voltava a chamar, a rir-se e a apontar para a minha cabeça.

 

Os tailandeses também são muito práticos quando é hora de montar as barracas e mobílias de plástico para venda de comida. Não têm um sítio fixo e por isso todos os dias as ruas parecem diferentes. Mesmo durante o dia a rua muda a olhos vistos, e à noite os passeios tornam-se autênticos restaurantes de rua.

Street food em Bangkok

As ruas de Bangkok cheiram bem e mal e mal e bem, tudo com poucos metros de distância. Ricos e pobres caminham em diferentes direções, lado a lado. Por isso não fico surpreendida que muitos visitantes não se apaixonem pela azáfama de Bangkok.

 

Mas é possível! Para eu encontrar o charme de Bangkok, tive de fazer os meus ouvidos estalarem ao subir ao quadragésimo sétimo andar e admirar a cidade a partir de um bar no topo de um hotel. Ali sim, é possível admirar as milhares de luzes brancas, amarelas e vermelhas que se agarram aos edifícios altos, iluminando o céu. No final de contas, Bangkok é tão encantadora como qualquer grande cidade metropolitana poderia ser!

Bangkok à noite
Cloud 47 em Bangkok

Andreia Leite

Sempre de câmara na mão, sonhadora por natureza, é apaixonada por cidades que ainda não explorou e por montanhas que ainda não escalou. Em 2010 fez Erasmus na Dinamarca e formou-se em Enfermagem. Por trabalho mudou-se para Londres e por amor mudou-se para Glasgow. Sonha um dia poder pisar todos os países do mundo e por que não, a lua também?! Gosta de escrever e documenta as suas viagens no seu blog www.theworldatmyfeet.net

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