Duas raparigas e uma aventura pelo sul da Europa

Acompanhando o vídeo, escrevo-vos este pequeno texto para uma compreensão mais lata do que verdadeiramente significou para nós esta viagem. Mais do que a aventura de duas raparigas que saltam gradeamentos para chegar a estações de serviço e arranjarem boleias em camiões TIR vindos da Bósnia, esta foi uma experiência de descoberta de uma humanidade bonita onde ainda podemos e devemos depositar a nossa fé.

Mas comecemos pelo início.

Um estágio a terminar. Ver-me sem trabalho e um Verão pela frente. Não haver muito dinheiro e a vontade de experimentar a liberdade total depois de 6 meses passados em frente ao computador.

“Ana, vem comigo a Itália!”. Quando acedi ao pedido da minha amiga para acompanhá-la nesta viagem por terras de pasta e pizzas, ainda não imaginava a aventura que nos esperava.

8kg de coisas básicas às costas, umas pernas para tonificar, a chegada a Portugal no final de Agosto e uma enorme vontade de viver uma aventura era o que tínhamos como certo.
Logo percebemos que Itália seria só o começo. Seguiram-se Alemanha, Suíça, França, Espanha e Portugal, num trajeto de muitos quilómetros feitos à boleia. Sem grandes planeamentos e com um mindset positivo constante, pusemos o polegar em ação. Este conduziu-nos às paisagens mais bonitas e às pessoas mais inspiradoras. Mesmo quando achávamos que já não podíamos ser mais surpreendidas pela generosidade do mundo, sempre aparecia alguém que nos abria as portas do seu carro e de sua casa a troco de uma conversa sobre quem eramos e o que fazíamos ali.

A forma como encaramos esta viagem, permitindo-nos conhecer mais do que lugares e pessoas, foi o que realmente a tornou tão especial, uma das melhores experiências de sempre. Sinto-me encher de amor quando penso em toda a boa gente que encontrámos pelo caminho. Porque sim, chamem-me de ingénua, mas a verdade é que este mundo não é tão mau quanto nos diz o noticiário das 8. Por isso, o conselho final: desliguem as televisões e façam-se à estrada. De Portugal a Itália ou da China ao Japão, acreditem que os pontos geográficos de partida e de chegada não importam tanto. Vão e disfrutem do percurso, criem oportunidades de contacto com quem se cruzem pelo caminho. Sem medo de barreiras culturais ou linguísticas, que as maiores barreiras são aquelas que colocamos a nós próprios. Não queiramos ser os Trumps deste mundo.

Ana Torres

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