Ser estudante de intercâmbio em Lisboa

Não sabia que ia, mas acabou por ir. Foi assim que Ilaria Aceto, de 18 anos, deixou a sua pequena aldeia entre Como e Milão, em Itália e embarcou num programa de intercâmbio em Portugal, organizado pela Multiway. “Queria descobrir novos horizontes, conhecer novas culturas e novas pessoas”. Chegou a Portugal no dia 12 de Setembro de 2015, entusiasmada para começar uma nova vida. Actualmente vive em Arruda dos Vinhos com uma família portuguesa e estuda Humanidades no 12º ano. Hoje, dá-nos o seu testemunho de como é ser uma estudante de intercâmbio em Portugal.

Ainda me lembro do dia em que escolhi ser uma “exchange student”. Eu estava na escola, numa aula como todas as outras, quando nos avisaram de que ia decorrer uma reunião de apresentação dos programas de intercâmbio. Eu nunca tinha ouvido falar daquilo antes e não sabia quase nada, mas mesmo assim, naquele exacto momento, percebi que esta era a experiência que eu queria ter.

Desde sempre que adoro viajar, conhecer novas pessoas e novas culturas. Passar nove meses num outro país parecia uma etapa natural do meu desenvolvimento. Não era nada parecido com qualquer coisa eu tivesse experimentado até aquele momento e, na verdade, a ideia de aprender a “andar” sozinha metia um bocado de medo, mas valeu a pena.

Uma outra “exchange student” que está aqui em Portugal comigo sempre diz que “esta experiência não é nada como eu esperava, mas é aquilo de que precisava neste momento”, e tem razão. Não se pode perceber o que quer dizer “ser um estudante de intercâmbio” até experimentarmos pessoalmente; a parte difícil não é integrar-se numa nova cultura, não é aprender uma nova língua. Esta é a parte enriquecedora. A parte difícil é tornares-te independente e aprenderes a ultrapassar os teus problemas sozinho.

Mosteiro dos Jerónimos com os outros exchange students (Justine, Americana, Almira, Indonésia, e Daichi, Japonês)
Mosteiro dos Jerónimos com os outros exchange students (Justine, Americana, Almira, Indonésia, e Daichi, Japonês)

É incrível como, para me conhecer a mim própria, aos meus limites e à minha força, foi preciso afastar-me de tudo aquilo que me era familiar e inserir-me num novo ambiente. Antes de chegar a Portugal, eu sabia apenas que tipo de pessoa eu era. Agora sei quem eu quero ser. Aprendi a distinguir as coisas verdadeiramente importantes na vida, interiorizei novos valores que só encontrei numa cultura diferente da minha. Cresci como nunca poderia ter crescido se tivesse ficado em casa, na minha zona de conforto.

Holi Christmas Event com os outros estudantes de intercambio (Justine e Chalyn, Americanas e Daichi, Japonês)
Holi Christmas Event com os outros estudantes de intercambio (Justine e Chalyn, Americanas e  Almira, Indonésia)

Apesar da distância, também sei que nunca estive sozinha: a minha família e os meus amigos apoiaram-me imenso e sei que nunca poderia ter crescido tanto sem o apoio deles; num contexto tão diferente, os dois apoios fundamentais chegam da família de acolhimento e dos amigos.

Quanto à primeira, acabei por inserir-me num núcleo muito parecido ao meu núcleo italiano: mesmo sendo assim, as diferenças são muitas: é inacreditável ver como um mesmo modelo familiar pode ter muitas variantes, cada uma diferente e, por isso, única. Quanto aos amigos, o apoio deles é fundamental para superar cada problema, para tornar cada experiência mais divertida.

Mas, sobretudo aqui em Portugal, conheci algumas das pessoas mais importantes da minha vida, construí laços tão fortes que nem a distância pode cortar. Os meus amigos portugueses dedicaram-me estas palavras e acho que explicam perfeitamente este conceito: “Aqueles que passam por nós nunca vão sós… deixam um bocado de si, levam um bocado de nós”.

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Padrão dos Descobrimentos com a minha Host Mum (Herminia) e a minha Host Sister (Inês)

Agora que o meu tempo neste país está quase a acabar, não sei como vou conseguir deixar tudo aquilo que me esforcei tanto para construir e voltar à minha vida “normal”: esta agora é a minha vida normal, e nunca vou esquecer as pessoas maravilhosas que tornaram esta experiência tão única.

O meu programa de intercâmbio italiano sempre diz: “You build a life for sixteen years and you leave it for ten months. You build a life for ten months and leave it forever. Which one is harder?”. Vou descobri-lo cedo, mas tenho medo, por já conhecer a resposta.

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Bolo de despedida que os meus amigos compraram para mim (foi uma surpresa): tem a forma de um livro porque eu gosto de ler e tem pintadas Itália e Portugal, com as suas bandeiras porque os países se complementam. Tem também um avião porque estou para voltar para casa e a frase que escrevi no meu texto.

Esta experiência e este país, com a sua cultura e as suas tradições, tornaram estes nove meses os mais intensos da minha vida. Agora sinto-me orgulhosa por poder dizer que EU SOU UMA ESTUDANTE DE INTERCÂMBIO.

Ilaria Aceto

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