O mundo ao colo

“ E os sonhos?! Qual é a importância deles na nossa vida?” Tudo começou com esta simples questão que Miriam colocou ao seu marido Nélson.

Este casal de criminólogos e a pequena Mia constroem uma família feliz com um simples desejo: viajar pelo mundo e pôr os pés à conversa com terras desconhecidas. Largaram uma vida estável com empregos fixos e um lar caloroso para partirem à aventura insegura e realizarem um sonho de vida: viajar pelo mundo fora.

Para muita gente é algo utópico e talvez “de loucos”. Muita gente diz que é muito tempo, outros dizem que não há dinheiro e também há quem simplesmente não tenha esse sonho. Encontram-se na estrada desde Setembro e nos primeiros 6 meses já percorreram, de mochilas às costas e a pequena ao colo, países como a China, Vietname, Camboja, Tailândia, Malásia e Singapura (não por esta respectiva ordem).

Menina-Mundo é a ponte de ligação entre esta casa ambulante em constante renovação, crescimento e construção, e, aqueles que viajam com ela. Falo do blogue, onde através das histórias e fotografias o casal vai publicando  os relatos da viagem e do crescimento da Mia. A Miriam encanta-nos com as palavras e Nélson realça visualmente a magnificência de toda a viagem.

 

“É este o nosso conceito de família, a forma como vivemos o ser família.” O que querem dizer com esta frase? De que maneira viajar mostra o “ser familia”?

Julgo que a Mia responde melhor do que nós a isto. Quando lhe perguntamos, já durante a viagem, o que é uma família, ela respondeu: A Mia, o papá, a mamã. É isto que queremos dizer, que independentemente do lugar no mundo, estamos juntos, a viver tudo isto juntos e termo-nos assim é sermos família.

O que vos fez começar esta aventura, e desde que começaram o que realçam como os melhores momentos?

Acreditarmos que os sonhos devem ser vividos, que devemos lutar por eles, dar a volta aos medos e fazer o que estiver ao nosso alcance para os concretizar, assim foi: despedimo-nos e partimos em busca do nosso, com a nossa filha e 20 Kg de coisas.

Quanto ao melhor desta viagem:

1) Tudo o que vemos e vivemos: percorrer a Grande Muralha, descer o rio Yulong numa jangada de bamboo, estender os olhos pelos arrozais no nordeste do Vietnam; visitar esse lugar onde desceu o dragão (Ha Long Bay); o caos organizado de Hanói; o mês que vivemos na selva, o dia em que plantamos a nossa árvore e aquele em que alimentamos um elefante e, sempre, as pessoas que conhecemos.

2) O tempo passado em família: temos de o sublinhar, por o vivermos como um privilégio. Passar por tudo isto em família, dedicarmos este tempo uns aos outros, numa total disponibilidade todos os dias, a todas as horas, crescermos juntos enquanto família a cada dia.

E a Mia, acham que tem gostado da experiência? E acham que esta a ser proveitosa para ela?

O feedback que nos dá não poderia ser melhor, com os seus 27 meses não nos saberá fazer um relatório da sua viagem, mas não precisamos, ela consegue muito bem dizê-lo de outras formas: como quando nos disse: ‘que casa bonita’ ao olhar para a torre Eiffel e depois para as torres da muralha da China, quando nos disse ‘que praia tão boa’ em Halong bay e quando nos abraça e diz simplesmente: Obrigada.

A adaptação que ela demonstra também nos diz como está a viver esta experiência: em cada país diz olá e agradece na língua local. Desde o primeiro dia que trocou os talheres pelos pauzinhos. Fica excitada de cada vez que andamos de barco, de avião ou de comboio e de cada vez que chegamos a um novo sítio, a que ela chama sempre: a nossa casa nova. O desenrasque a lidar com situações inesperadas, como fazer das caixas de cartão um banco para se sentar ou fazer-se entender com quem não fala a sua língua. Tudo isto são formas de nos dizer o quanto ela está feliz, se o sorriso, os olhos e as suas gargalhadas fartas não chegassem para sabermos da sua felicidade.

 

E de que maneira viajam? Fazem uso de todo o tipo de transportes? Dão preferência a uns ao invés de outros ou é consoante o momento?

Nesta viagem já viajamos de avião, de comboio, subimos o Mekong de barco e andamos em autocarros locais. Privilegiamos meios alternativos ao avião, permitindo-nos uma maior proximidade ao locais.

E o alojamento e alimentação: Quais são os métodos que usam tanto para vocês como para a Mia?

Alojamento: Variado. procuramos ter um conforto mínimo aceitável para acomodar a nossa filha, sempre numa perspectiva de controlo de custos, atentando a que viajar de forma continuada obriga a essa contenção desde o início ou o orçamento pode escapar-nos no primeiro mês.

Alimentação: Uma das nossas preocupações enquanto pais é a nutrição da nossa filha, tendo em conta que a gastronomia nos países visitados é muito diferente, tentamos sempre um equilíbrio entre  o que lhe queremos dar e o que é viável tendo em conta o lugar onde nos encontramos.

 

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Presumindo que são felizes (impossível não o ser com este projecto magnifico), que conselhos dariam a um casal que também gostasse de viajar com o(a) filho(a) e de certo modo educar o “ser família” em viagem?

O primeiro conselho seria: vão, façam as malas e vão. Se viajar é importante para eles não devem deixar de o fazer por serem pais, acredito na máxima: pais felizes = filhos felizes = família feliz. E se viajar os faz felizes devem trazer os filhos para esse prazer.

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No vosso blog dizem: “vamos vê-la brincar com as(os) meninas(os) desses mundos novos aos quais passaremos a pertencer: meninas(os) que serão diferentes, dela e entre si, mas que – consigo já imaginar – se entenderão em sorrisos fartos, gargalhadas soltas, olhos curiosos, correrias e vontades do impossível.” Acham importante esta diversidade cultural na infância da Mia? Porquê?

Achamos essencial. O contacto com os outros, a exposição à diferença, sem julgamento, observar e respeitar. Se há algo que queremos que ela retenha desta experiência é isto: que a diferença nos traços do rosto, na forma como nos vestimos, como oramos, como falamos, como comemos e no que comemos não nos torna melhores ou piores, mais ou menos. Que a diferença será sempre inferior ao que nos une e nos faz iguais e sei que ela viverá e crescerá com isto tudo enraizado nela.

Relativamente à viagem: Sei que já percorreram vários países no sudeste asiático. E agora, passado 6 meses de viagens quais são os planos? Nada está decidido, não há nada planeado com muita antecedência, por isso nunca quisemos um bilhete de volta ao mundo que nos obrigasse a ter datas definidas. Gostamos desta liberdade de podermos ficar mais tempo, se nos estivermos a sentir bem e partir apenas quando quisermos, sem pressões de datas ou pressas para ter mais países no passaporte.

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Agora perguntam vocês se valerá mesmo a pena, largar tudo, por um dito sonho, ainda por cima nos tempos que correm. Como dizia Fernando Pessoa “ tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

“Isto não é apenas uma volta ao mundo, mas sim uma volta sobre nós próprios.” Miriam Pina.

Site: http://www.meninamundo.com/

Facebook: https://www.facebook.com/meninamundoblog

Fotografias de Nelson Paiva

Texto: Iolanda Pinheiro

One thought on “O mundo ao colo

  1. Olá Guilherme.
    Gostaria de falar melhor contigo sobre a tua experiência sobre o Gap Year e afins. Se pudesses, adoraria falar contigo por e-mail para expor as minhas dúvidas e ouvir tudo o que me possas ter a dizer e ajudar.
    Passa no meu blog para falarmos.

    Obrigada e aguardo uma resposta,
    Edna // http://neverforgottenmercury.blogspot.pt

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