América Central: 10 das suas infinitésimas maravilhas

A América Central é um dos locais mais diversos a nível de cultura e biodiversidade no mundo. Com 20 países constituintes e uma área de 522.760 km2 é um dos continentes mais pequenos do mundo, mas não é por isso que deixa de ser um dos que tem mais a oferecer a nível turístico.

Denomina-se correntemente América Central à região continental entre o México e a Colômbia. Assim sendo, darei mais relevância a esta zona, neste artigo. Ainda assim, deixo aqui a informação que as Caraíbas são consideradas inerentes à América Central, por estarem localizadas na mesma placa tectónica: Placa Caribeana. Quanto ao México, um país em que se discute a nível geográfico a sua localização, é oficialmente considerado América do Norte.

Vamos lá ver o porquê então de a América Central ser uma zona tão cobiçada a nível turístico, e não só:

Caraíbas.

O mar que banha parte dos países continentais da América Central é o Mar do caribe. Além de ser um dos mares mais cobiçados a nível mundial para fins recreativos, é o mar que, junto a outras ilhas e estados insulares, forma as famosas Caraíbas – Um pequeno paraíso turístico (no local incluem-se, países com nomes como: Cuba, Jamaica, República Dominicana, entre outros…). Claro que não são destinos para qualquer carteira. Alternativas estão presentes ao longo da costa atlântica; especial atenção para as ilhas Hondurenhas (Bay Islands).  Vistas dignas de postal, mar transparente e preços baixíssimos. Um paraíso low-cost.

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Praia em Utila, Honduras. (Uma das três Bay Islands)

        

Mar Pacífico.

Já do outro lado as praias não são piores. Embora tenham um estilo de mar diferente, e um estilo de praia por vezes mais citadino, não deixa de haver pequenos paraísos a descobrir. Conselhos: Península de Guanacaste (Playa del Coco, Tamarindo, Potrero ou Samara), são óptimas zonas na Costa Rica.

Praia na Costa Rica, Potrero (retirada do site: govisitcostarica)

História.

A América Central é um continente repleto de marcos históricos. Berço de civilizações antigas, como os Mayas e Aztecas, que deixaram vestígios desde o México até à Nicarágua, contrastantes com marcas arquitectónicas, alterações da gastronomia tradicional, entre outras mudanças propulsionadas pelo colonialismo espanhol. Algumas das mais proeminentes cidades centro-americanas: Antigua na Guatemala, Leon e Granada na Nicarágua, entre muitas outras.

Suchitoto, El Salvador. Cidade Colonial (foto retirada do site stevemckenna)
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Escada hieroglífica em Copan, Honduras.
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Chichen Itza – Uma das 7 maravilhas do mundo. (Riviera Maya, México)

Diversidade Cultural.

Além do espanhol, falado amplamente na maior parte dos países, também o Inglês e vários dialectos são muito utilizados. Há cerca de 20/30 grupos indígenas por toda a América Central.
Um dos que eu tive a sorte de conhecer, foram os Garífuna. Este povo foi formado pela miscigenação (mistura de raças, de povos e de diferentes etnias) de índios, caribenhos e aruaques (indígenos da América do sul) com escravos africanos. Falam um inglês caribenho, trazem muita da sua cultura no sangue, o que se reflete na sua forma de estar e na música que tradicionalmente tocam – punta. Travar amizade com um garifuna é, sem dúvida, uma experiência a não perder. É fácil, basta ser acessível e viajar pela costa atlântica e nas ilhas hondurenhas!

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Um rapaz de etnia garífuna em Livingston, Guatemala.

Curiosidade: As três ilhas a norte das Honduras (The Bay Islands) foram território dos ingleses até 1850. Após essa data, foram trocadas pelo Belize com os espanhóis. Nessas ilhas além de haver a etnia garífuna, fala-se Inglês e Espanhol.

Reggaeton e Cúmbia.

Reggaeton, um estilo musical que tem vindo a tornar-se cada vez mais popular em Portugal, e por outras partes da Europa, tem origem na música latina e caribenha, mais concretamente no reggae do Panamá, misturado com hip-hop, salsa e música eletrónica. Para quem quiser aprender realmente a ‘bailar reggaeton’ o ideal será entrarem num barzinho durante a vossa viagem. Aprendam uns truques para que, quando regressarem a Portugal, possam impressionar alguém. A Cúmbia (Colômbia), embora não seja originária da América Central, é um estilo mais tradicional/popular de música, que também se ouve muito.

Reggaeton numa gala de futebol. (foto retirada do site fotolog)

Turismo low-budget e baixo custo de vida.

A partir da Costa Rica para sul os preços começam a subir mas, ainda assim, em comparação com outros lugares, a América Central oferece preços apelativos relativamente à alimentação, transporte e estadia, o que se torna num dos grandes factores que leva muitos viajantes a lançarem-se em aventuras pelo continente.

Cidades grandes.

Parte do continente é considerado “terceiro mundo”, mas não é por isso que não existem grandes metrópoles. A Cidade do Panamá é um bom exemplo disso. Vida nocturna, museus, restaurantes chiques, prédios e mais prédios, uma das cidades do mundo com mais representantes de bancos. Um lugar onde se pode encontrar de todo o tipo de produtos nas prateleiras dos supermercados, um canal que liga dois oceanos, e tudo o que um viajante moderno pode precisar.

Cidade do Panamá (foto retirada do site: reconturpanama)

Surf.

Não é toda a América Central, mas a costa do pacífico, essencialmente, tem uma boa cultura de surf.
Na Costa Rica, mais especificamente, o surf é um dos pontos altos do turismo. Escolas de surf, campos de férias e muitas ondas esperam os milhares de turistas que lá passam com ou sem prancha.

Filipe Toledo a surfar na Costa Rica (foto retirada do site: surfingmagazine)

Segundo maior coral do mundo.

Talvez um dos pontos altos do turismo latino-americano. A seguir ao coral da Austrália, este estende-se desde Cancun até as Honduras por mais de 300km. É conhecido mundialmente pelo  Belize great blue hole (o maior buraco azul do mundo)  e também pelo scuba-diving. Para os amantes de mergulho recreativo este é um dos melhores sítios para apostar nisso, já que nas Honduras, nas ilhas que falei anteriormente, podem-se conseguir os preços mais baixos do mundo!

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Scuba-diving em Utila, Honduras.

Biodiversidade.

O arco vulcânico da América Central é constituído por centenas de vulcões , só a Guatemala, com uma área quase igual a Portugal, tem cerca de 35 vulcões.
A Costa Rica é muitas vezes considerada como um dos países mais bio diversos do mundo. A região de La Mosquitia (50 000km2 das Honduras e Nicarágua) alberga a maior floresta tropical da América Central e tem zonas que ainda não foram exploradas pela comunidade científica. (“A importância deste local não pode ser subestimada” Etnobotânico Mark Plotkin).
Entre as espécies raras de fauna e flora, a América Central reúne 7% da Biodiversidade do mundo. Por isso, se gostas de natureza, já sabes que este é um local ideal para ti!

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La Mosquitia (foto retirada da National Geographic)
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Aranha Gasteracantha em Copan, Honduras.

Isto são só 10 razões que eu vejo, pertinentes, mas muito ficou por contar. Tens que ir à descoberta, e ver por ti próprio o que há do outro lado do oceano.