Viagem às Ilhas de Bruma- São Miguel

As ilhas dos Açores são um mistério para muita gente, inclusive para a maioria dos portugueses. Os voos para lá  costumavam ser muito caros, por tal era um destino que não era acessível a muita gente. Agora, sobretudo nas companhias lowcost, os preços dos voos estão constantemente a baixar, podendo chegar aos nove euros por viagem, sendo uma opção viável para muitas mais pessoas.

Por muito que se tente explicar, o ambiente que rodeia aquele conjunto de ilhas só se consegue captar in loco; é  um ambiente quase mágico. Irei focar-me na ilha de São Miguel, lugar onde passei mais tempo nas minhas viagens. Costuma dizer-se que nos Açores se apanham as quatro estações do ano, todos os dias. A verdade é que o clima é bastante instável e um pouco tropical,  por isso duas coisas imprescindíveis para andar contigo, numa visita, serão o fato de banho e um guarda-chuva ou impermeável.

Experiências

Poça da Dona Beja: Apesar do conceito deste espaço ter evoluído nos últimos anos e estar agora sujeito a algumas regras, tais como hora de fecho e pagamento de entrada, foi um dos lugares mais incríveis em que estive nesta ilha. Muita da magia daquelas piscinas de água quente, seminaturais, veio do facto de ter lá ido durante a noite. Foi incrível, sempre que regressar a São Miguel, lá voltarei, mesmo tendo de pagar 3 euros de entrada.

Salto do Cabrito: O salto do cabrito é uma cascata situada nos arredores da cidade da Ribeira Grande. Tem um trilho associado à cascata, que acompanha a ribeira e vai dar a uma barragem. Prepara-te com botas de caminhada e espírito aventureiro, pois é preciso um bom impulso para percorrer o trilho pelo meio da floresta. Este é um lugar onde habitualmente se encontram muitos pontos de  geocaching, e mesmo que não vás com a  intenção de procurá-los, são muito fácil de encontrar.

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Parte da subida pelo percurso do Salto do Cabrito
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Paragem durante o percurso do Salto do Cabrito

Areal de Santa Bárbara: É considerada a praia dos surfistas e uma das melhores em S. Miguel. O Bar da praia – TukáTulá – é muito agradável e a vida noturna, no verão, é  simpática e animada. A única coisa com que tens de ter cuidado, nesta praia, é com as alforrecas, que, em algumas alturas do ano, aparecem na água perto dos banhistas. Ainda assim, não deixes de a visitar, seja durante o dia, seja à noite.

Caldeira Velha: Agora chamada ” Centro de Interpretação Ambiental Caldeira Velha”, é um dos sítios prediletos dos turistas para tomar um banho de água sulfatada com agradáveis temperaturas que rondam os 30 graus centígrados. Existem várias ” piscinas” ao longo do espaço, rodeadas de um ambiente exótico e relaxante. Uma atividade obrigatória que te custará dois euros de entrada.

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Banhistas na Caldeira Velha

Piscinas da  Ferraria: Junto ao mar, uma espécie de praia de rochas e pequenas escarpas é popular pelas piscinas de água quente. As águas termais são de origem vulcânica e fazem as maravilhas de quem lá se desloca para nadar um bocadinho.

Parque Terra Nostra: É também uma opção ótima para experimentar as piscinas de água termal. Um jardim incrível, no Vale das Furnas, ideal para os amantes de botânica e para todos aqueles que quiserem por lá passear e pagar a taxa de entrada de  6 euros.

Lagoa das Sete Cidades: Situada no fundo da caldeira das sete cidades, é composta por duas lagoas, com água de tons distintos. Narra a lenda que as duas lagoas surgiram das lágrimas de dois enamorados: uma princesa e um pastor. Segundo a história, as lagoas têm cores diferentes, verde e azul, por causa da cor dos olhos de cada um deles. Envolta em brumas constantes que, apenas  às vezes se desvanecem e nos deixam espreitar a lagoa, é um dos sítios mais turísticos e místicos dos Açores e um lugar cheio de surpresas:  trilhos pelo cume, miradouros naturais com vistas fantásticas e até um hotel abandonado no cimo da caldeira, com a vista mais privilegiada da ilha, de onde se tiram fotos incríveis.

Lagoa do Fogo: Em dias de nevoeiro, o caminho para lá chegar é traiçoeiro. Podes descer até às praias no fundo da lagoa mas prepara-te para a caminhada de volta ao topo- já custa bastante.

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Vista do topo da lagoa do fogo, num dia de pouca bruma

Portas do Mar: Um dos principais locais de reunião da malta jovem em Ponta Delgada. O local ideal para estares sentado numa esplanada, durante o dia e também à noite, acompanhado pela música ao vivo dos inúmeros bares que há naquela marina.

As paisagens dos Açores são muito marcadas pela criação de vacas, que é uma parte fundamental da economia regional. Uma experiência indispensável é pedir a um lavrador para tirares uma fotografia com uma vaca, ou uma “selfie”, se conseguires! Eles vão rir-se e tu habilitas-te a levar uma valente lambidela!!

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Conversas singelas com vacas

Roteiro Cultural

Visita à fábrica de chá da Gorreana: Nesta fábrica pequena e muito antiga podes ver o processo de confeção dos tão conhecidos chás dos Açores e, pelo meio da visita, ainda tens direito a prova. Na loja dos gelados, no fim de veres o processo de fabrico do chá, não te esqueças de provar os gelados de chá verde que lá se vendem- são dos melhores que já comi.

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Campos de plantações de chá à saída da fábrica

O Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas é um espaço muito completo, tanto pelas exposições que acolhe, como pela sua arquitetura- uma opção excelente para os amantes de arte.

O Walk&Talk é um festival de arte urbana por toda a ilha que reúne as várias artes, desde as artes performativas e visuais à arquitetura e o design, e é interessante descobrires os seus vestígios, que podem ser encontrados em distintos lugares da ilha.

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Vestígios do Walk&Talk, obra do artista Vhils

Gastronomia

É uma ilha de boa comida e de iguarias fartas. Tens muito por onde escolher no que diz respeito à comida. As lapas grelhadas são um dos pratos/entradas típicas de São Miguel. Aconselho-te também a experimentares queijo com pimenta da terra. Os deliciosos bolos lêvedos, são uma das delícias desta ilha, que não podes perder. Provar o ananás (e fazer uma visita às estufas onde eles crescem) e os licores fabricados em vários pontos da ilha também são experiências que devem estar na tua lista de viagem.

Se quiseres comer o melhor bife da ilha, não podes deixar de ir ao Restaurante da Associação Agrícola de S. Miguel. Os preços não são propriamente baratos, mas é o preço a pagar pela excelente qualidade da carne. Também é indispensável a visita às furnas e provar o cozido feito debaixo de terra.

Uma sugestão mais ligeira mas muito recomendável é o TukáTulá Bar na praia Areal de Santa Bárbara( já acima referida) na Ribeira grande- a comida, numa onda mais de snacks consistentes é verdadeiramente deliciosa. As segundas-feiras à noite são de presença obrigatória, durante o verão. Apreciar o pôr do sol nas cadeiras de descanso desta praia  é habitual para os que habitam perto, ou para os que por lá passam. Em setembro costuma haver campeonatos de Surf a decorrer nesta praia, que trazem pessoas de todos os cantos do mundo até à ilha.

São algumas dicas que te podem auxiliar na tua próxima viagem a S. Miguel. Não te esqueças de contactar com os locais durante a viagem- os micaelenses são pessoas muito simpáticas e generosas e ,apesar de por vezes o seu sotaque tão característico ser um pouco difícil de compreender, não te vais querer privar das histórias incríveis que muitos têm para contar.